RODRIGO NARRANDO:Eu estava sozinho na quadra de padel da mansão, tentando descarregar na força tudo aquilo que não conseguia organizar na cabeça, a lançadora de bolas seguia disparando uma atrás da outra, sem piedade, e eu rebatia todas com brutalidade, sem pensar, sem técnica, só no impulso, o som seco da bola encontrando a raquete ecoava pela quadra inteira, agressivo, cortante, quase tão violento quanto a raiva que martelava dentro de mim.Meu braço já estava pesado, o ombro tensionado, a camiseta grudada no corpo de tanto suor, mas eu continuava.Outra bola.Pá.Mais uma.Pá.Mais forte.Mais uma.Pá.Eu ignorava completamente o celular jogado no banco ao lado da quadra, as mensagens, as ligações, tudo, não queria falar com ninguém, não queria ouvir ninguém, só queria continuar acertando alguma coisa com força suficiente para ver se aquela pressão absurda dentro do peito diminuía, mas não diminuía.Só aumentava.Eu batia sem controle, quase cego, deixando a frustração tomar conta
Leer más