MarcoNos dias seguintes à prisão da Beatriz, a vida não voltou ao normal.Voltou ao possível.Existe uma diferença grande entre as duas coisas, e eu comecei a perceber isso nos detalhes pequenos, nas reuniões que voltavam a acontecer, nos e-mails que deixavam de ser interrogatórios velados para voltarem a ser apenas trabalho, nas ligações que retomavam o tom profissional depois de semanas carregadas de cautela.Nada era leve.Mas também não era mais sufocante.Na segunda-feira de manhã, o prédio da holding parecia o mesmo de sempre, recepção silenciosa, passos rápidos pelos corredores, portas de vidro se abrindo e fechando com discrição. Ainda assim, havia uma mudança difícil de explicar para quem não viveu os últimos meses ali dentro.As pessoas voltavam a olhar direto.Antes, os olhares desviavam rápido demais, como se qualquer contato visual pudesse virar cumplicidade involuntária com um problema que ninguém queria assumir. Agora havia cumprimentos normais, perguntas diretas, pequ
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