GIOVANNA | A Crise A crise não veio de onde eu esperava. Havia passado semanas com os olhos no perigo externo — Adriana, Thiago, o conselho, os artigos. Havia construído, sem perceber, uma espécie de mapa mental do que precisava monitorar, do que podia chegar de fora e que podia ameaçar o que existia dentro. Não era de fora que veio. Foi uma quinta-feira de fim de novembro, quase dezembro, o calor que já não tinha jeito de negar. Betina havia ido dormir sem jantar — o tipo de sinal que eu reconhecia como estômago nervoso, que ela às vezes tinha quando algo estava pesado demais para processar sem afetar o corpo. Sentei ao lado dela na cama e perguntei com a voz que usava quando queria que ela soubesse que havia espaço. — Bê. O que está acontecendo? Silêncio. Depois, em voz mu
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