QUATRO DA MANHÃ Moema Andrade | Apartamento Seguro, Consolação | Quinta, 04h – 07h30 O apartamento da Consolação era real do jeito que hotel nunca é. Tinha um sofá de tecido cinza com o acento desgastado do lado direito, marca de copo na mesa de centro, um pôster de exposição emoldurado na parede que era tão genérico que podia ser de qualquer um. A geladeira estava vazia, o fogão não tinha mantimento, os dois quartos tinham cama e uma coberta dobrada no pé das camas. Janelas com grade. Porta de ferro com duas fechaduras. Eram quatro da manhã quando eles chegaram. A Priscila fez a varredura em menos de três minutos – dois quartos, banheiro, cozinha. Depois ela foi para a porta de entrada e ficou lá. O Souza ficou do lado de fora, na calçada. Lucas foi para o corredor com o celular. A voz dele chegava em fragmentos: Caio, situação, confirmar, próximas horas. Ela ouvia o tom sem entender as palavras. Nem tentou. Moema largou a mochila no chão. Ficou de pé no meio da sala por uns
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