Os dois homens se encararam, nenhum deles disposto a ceder um centímetro sequer naquele embate silencioso, até que Cézare inclinou levemente o rosto, os olhos ainda fixos, ainda impenetráveis.— E o que você, o Sottocapo da ’Ndrangheta, ganha com isso? — perguntou, e não havia sarcasmo, não havia ironia, não havia sequer provocação na forma como disse aquilo, era direto, preciso, quase clínico, como se estivesse abrindo as engrenagens da proposta para analisar seu funcionamento interno — Não faço acordos ardilosos e escusos, Guillermo.Claro…não seria tão fácil assim.A constatação se assentou na mente de Guillermo com o peso de uma certeza quase instintiva, enquanto ele sustentava o olhar daquele homem que parecia não apenas escutar, mas espremer cada palavra, cada intenção, cada silêncio.Cézare não era o tipo de homem que se deixava seduzir por promessas amplas ou vantagens aparentes; ele era meticuloso, frio, estrutural, alguém que só formalizava um acordo depois de mapear cada im
Ler mais