VICTOR BALTIMOR.Dormi pouco naquela noite.Na verdade, dormir era um exagero. Passei boa parte da madrugada revendo mentalmente tudo o que poderia dar errado.Charlotte era inteligente, fria, paciente e diferente de Meire. Charlotte desconfiaria de qualquer movimento fora do comum. Ela não cairia facilmente numa armadilha, se não fosse bem planejada.Logo depois das sete da manhã, bati à porta do quarto onde Meire estava. Eu precisava manter o personagem, até que capturássemos Charlotte. Quando isso acontecesse, eu poderia mandar Meire para a cadeia, por ajudar Charlotte.Meire abriu a porta quase imediatamente e sorriu ao me ver.— Bom dia, amor.Forcei um sorriso discreto.— Bom dia.Ela parecia animada. Havia se arrumado como se fosse sair para um encontro romântico, não para servir de isca.— Dormiu bem? — perguntei, como se me importasse.— Muito.Ela deu um passo à frente.— Sonhei com nosso futuro.Por dentro, meu estômago revirou. Por fora, mantive a expressão serena.— Prime
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