Alessia Eu estava coberta de sangue, e não era só sujeira… parecia que aquilo tinha entrado na minha pele, na minha cabeça, em tudo que eu era. Antes de irmos para o hospital, voltamos para a casa onde estávamos escondidos, no interior de Moscou, e no momento em que atravessei a porta senti como se ainda estivesse presa naquela outra casa, como se o cheiro, os gritos e o fogo tivessem me seguido até ali. Eu não pensei em nada, não raciocinei, não hesitei, apenas fui direto para o banheiro, como se o meu corpo já soubesse o que precisava fazer antes mesmo da minha mente entender. Assim que entrei, liguei o chuveiro e a água quente caiu sobre mim, escorrendo pelos meus ombros, pelo meu rosto, pelo meu peito, carregando parte daquele sangue embora, mas não o suficiente para me aliviar. Foi ali que eu desabei. Meu corpo inteiro cedeu ao peso do que tinha acontecido, minhas pernas fraquejaram e eu me apoiei na parede enquanto o choro vinha forte, descontrolado, como se tudo que eu tinha s
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