Capítulo 91Narrativa do autorDom Romano saiu do escritório com o semblante fechado, o pensamento ainda preso aos números, aos nomes e aos riscos que carregava nas costas. Desceu até o galpão antes de ir embora. Gostava de ver com os próprios olhos. As caixas de madeira estavam alinhadas, marcadas, bem fechadas. Armas limpas, munição separada, tudo no lugar certo. O cheiro de óleo e metal sempre lhe dava uma sensação estranha de ordem no meio do caos.Estava tudo andando. Fluindo. Do jeito que ele exigia.Cumprimentou os homens com um aceno curto, entrou no carro e seguiu para casa. No caminho, a mente foi desacelerando, mas nunca desligando. Dom Romano não sabia ser apenas um homem comum. Mesmo em casa, continuava sendo quem era.Quando entrou, a cena na sala chamou sua atenção por um segundo a mais do que o normal. Seu cunhado conversava com a filha de Valquíria. Falavam baixo, algo cotidiano, algo que não merecia importância. Ele passou por eles, cumprimentou com educação, sem sor
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