Cap 26. O que não nos pertence
Milena permaneceu encostada na porta, o corpo rígido, a respiração irregular. Do outro lado, a voz de Marcelo voltou a soar, firme, controlada, mas carregada de algo que ela não soube identificar se era raiva ou urgência. — Esse é meu quarto, Milena!— ele falou tentando fazê-la abrir.— Uma hora você terá que sair daí e me ouvir. Ela fechou os olhos. A mão ainda segurava a maçaneta, como se parte dela estivesse pronta para ceder. Mas lutou contra seu próprio medo. Sabia que qualquer palavra dita naquele momento poderia virar outra arma contra ela mesma. Marcelo permaneceu parado por longos minutos. O olhar fixo na madeira fechada, os punhos cerrados, a mente em turbulência. Ele caminhou até o escritório, como fazia sempre que precisava colocar a mente no lugar. Com o silêncio do outro lado, Milena deslizou lentamente até o chão, sentando-se com as costas apoiadas na porta. Abraçou as pernas. As lágrimas vieram em silêncio. Era um choro cansado, de quem havia ultrapassado um li
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