“Se para ser perdoado é preciso perdoar, então serei um homem condenado.” Em frente à enorme janela da suíte presidencial do Hotel Palace, Carlos Hernandes observava os carros parando um após o outro na entrada do evento. Lá embaixo, flashes iluminavam a fachada do hotel enquanto empresários, políticos e investidores atravessavam o tapete vermelho sob a chuva fina que começava a cair. O reflexo da cidade brilhava no vidro diante dele. Dez anos haviam passado, mas para Carlos parecia outra vida. Atrás dele, Marcos permanecia em silêncio, apoiado perto da porta. O clima pesado da suíte o incomodava mais do que gostaria de admitir. Carlos ajustou lentamente o relógio no pulso antes de soltar uma risada baixa. — Engraçado como as coisas funcionam… A voz saiu calma. — Dez anos atrás eu nem conseguiria entrar nesse hotel nem pela porta de trás. Marcos passou a mão pela nuca, já prevendo o rumo daquela conversa. — Você ainda pode desistir disso. Carlos ergueu uma sobrancelha devag
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