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Capítulo 8 A Irmã Rebelde e a Esposa Solitária

Kaled:

- Não se preocupe, já estou bem melhor!

Iasmin:

- Alá sabe o quanto fiquei nervosa quando soube do atentado!

Kaled:

- Não era minha hora, Iasmin! Não estava escrito.

Iasmin:

- Agradeci por Alá ter poupado a sua vida, e da moça que estava com você.

Kaled:

- Como sabe que estava com uma mulher?

Iasmin:

- Salin me contou, por coincidência conheço essa funcionária. Ela se chama Soraia Hadid, não é mesmo?

Kaled:

- De onde a conhece?!

Iasmin:

- Conheço ela do trabalho voluntário do hospital. Já a vi em diversas reuniões!

Kaled:

- Não sabia que el era voluntária em um hospital.

Iasmin:

- Sim, ela se tornou voluntária porque o filho dela não pode sair do hospital enquanto não estiver completamente curado.

Kaled sente uma pontada em seu coração, não sabia que Soraia tinha um filho, e que ele estava doente. As ideias começaram a correr na mente do bilionário, não podia acreditar no que sua irmã estava lhe dizendo.

Kaled:

- Você tem certeza disso, Iasmin?!

Iasmin:

- Wallah! Não teria porque mentir, meu irmão!

(*Wallah = Juro por Deus*)

Kaled:

- Isso não pode ser verdade, não pode! EU ME RECUSO A ACREDITAR NISSO!

Iasmin:

- Por quê está tão alterado, meu irmão?! Está suando!

Kaled:

- Eu não tenho perdão! Não tenho perdão!

Iasmin:

- Está preocupado com sua funcionária?! Fique tranquilo, o Aslan passou por uma cirurgia caríssima recentemente, e já está se recuperando.

Kaled:

- O nome do menino é Aslan?!

Iasmin:

- Sim.

Kaled:

- Como eu pude ser tão arrogante e egoísta?!

Iasmin:

- Por quê está dizendo essas coisas, Kaled!!

Kaled:

- Porque eu cometi o maior erro da minha vida! Eu fui injusto com uma pessoa!

Iasmin:

- E você não pode pedir desculpas?!!!

Kaled:

- Desculpas não são suficientes, eu precisaria pedir perdão, e mesmo assim, ainda seria pouco.

Iasmin:

- Não acredito que possa ter feito tão mal assim para uma pessoa! Seu coração é bom, meu irmão.

Kaled:

- Eu sou um crápula, Iasmin! Sou o pior homem do mundo, pelo menos é assim que eu me sinto agora! Eu deveria ter ajudado uma pessoa que precisava, e fui miseravelmente oportunista.

Iasmin olha para o irmão, e não entende aquela reação, que em sua percepção, foi desmedida...

Kaled deixa a irmã sozinha, e vai até a sala de Soraia, para falar que descobriu a verdade...

(De joelhos, implora um perdão)

Atordoado, Kaled chega na sala de Soraia, que estranha sua postura com a guarda baixa...

Ele começa a suplicar pela redenção de seu ato falho...

Kaled:

- Eu já sei do Aslan...

Soraia olha fixadamente para Kaled, abaixa a cabeça e o questiona...

Soraia:

- Como descobriu?!

Kaled:

- Não importa. A única coisa que devo te perguntar é: por quê não me contou nada?!

Soraia:

- Isso teria mudado alguma coisa?!

Kaled:

- Claro que teria mudado! Mudaria tudo! Jamais iria te cobrar alguma coisa pela operação do seu filho.

Soraia:

- Guarde seu ativismo para você mesmo, não tem ninguém aqui que deve impressionar com sua falsa bondade! Eu te pedi um empréstimo, jurei que iria pagar cada centavo, mas o senhor não quis me ouvir! A única coisa que queria, era levar mais uma funcionária para cama, e meus parabéns, porque foi isso que conseguiu!

Kaled:

- Nunca imaginei que você tinha um filho e que ele precisa de uma operação! Nem sabia que você era casada!

Soraia:

- Fui casada sim, mas meu marido morreu, a empresa em que ele trabalhava não quis arcar com os procedimentos caros da cirurgia de Aslan, então eu me vi em um beco sem saída. Não sabia para onde ir, não sabia o que fazer! Foi quando decidi ir até o meu chefe para pedir um adiantamento, e ele disse que me daria, mas em troca queria uma noite comigo. Eu recusei, tentando manter a minha dignidade, mas a sobrevivência do meu filho, falou mais alto dentro de mim.

Diz emocionada a executiva, com lágrimas percorrendo seu rosto.

Kaled faz algo inimaginável, se prostra diante Soraia, e implora o seu perdão...

Kaled:

- Eu nunca te pediria uma noite, se soubesse que o seu problema era tão sério. Foi um sacrifício em troca de uma vida, e você não tem ideia de como estou nesse momento, estou destruído, fragmentado!

Soraia:

- Não se trata de você! O mundo não gira ao seu redor! Você foi o pior tipo de homem que eu já conheci, usou de uma necessidade minha, para tirar vantagem! Agora se ajoelha e pedi perdão, como se fosse assim tão fácil?! Não é! Perdão é só uma palavra que se eu disser para você, vai sair da minha boca sem nenhuma força, sem nenhuma verdade! Não posso te dar essa absorvição, não posso! Eu quero que você sinta dor, arrependimento, remorso; quero que sofra, para que nunca mais tente se aproveitar da necessidade de uma mulher. Se de verdade sente alguma coisa pelo que fez, que isso angustie suas noites e seus dias, para que assim possa se tornar uma pessoa melhor...

Kaled:

- Suas palavras ressoam como abelhas em meus ouvidos! O que fiz foi imperdoável, agora entendo porque me odeia tanto. Sei que nunca poderá me perdoar, apenas queria ter a ombridade de dizer que não precisa devolver aquele dinheiro.

Soraia:

- Mas eu faço questão! Faço questão de devolver cada centavo daquele maldito dinheiro. Você não entende?! Enquanto eu não devolver aquele dinheiro, é como se estivesse presa com você, naquela cama, sem dignidade, sem chão! Se quer me ofender com isso, conseguiu, mas mesmo que não queira, devolverei tudo o que me deu para passar aquela noite com você!

Kaled:

- Eu não tinha ideia que estava te fazendo tanto mal!

Soraia:

- Deve ser porque é um insensível. Não percebe nada debaixo desse ego!

Kaled:

- Aquela noite foi tão ruim?! Em nenhum momento pode desfrutar?!

Soraia:

- Eu sou mulher, tenho necessidade assim como você! Se eu dissesse que não senti nada, estaria mentindo! Obvio que eu senti prazer, tinha muito tempo que um homem não me tocada, e o senhor foi tão atencioso, tão gentil. O quê não gostei foi a condição em que me colocou, foi como se me comprasse, e isso é humilhante. Você tocou o meu corpo, mas não tocou a minha alma, eu me deitei com você, mas não fiz amor com você, éramos como dois estranho.

Kaled:

- Essa nunca foi a minha intenção.

Soraia:

- Eu não quero saber de suas intenções, eu só quero que me deixe trabalhar em paz! Quero que se afaste de mim e do meu filho. Nunca mais toque nesse assunto, não quero que ninguém mais descubra!

Kaled:

- Jamais teria coragem de contar isso para alguém e te expor! A única coisa que espero, é que algum dia possa me perdoar.

Soraia:

- Não peça por algo, que nunca poderei te dar...

Kaled se ergue novamente, deixando algumas lágrimas caírem em seu terno caro...

Soraia finge que nada daquilo lhe abala, e dá as costas para o CEO...

O Bilionário está desesperado de culpa e precisa achar algum tipo de consolo...

Vai até o seu apartamento, e pede para Samilly, sua amante, passar a noite com ele...

Na Mansão de Aisha, a primeira esposa do califa, demostra estar muito feliz, depois de tanto tempo de espera, ela tem certeza que está esperando o primeiro herdeiro dos irmãos Faruk.

Aisha aguarda ansiosa a chegada de seus exames de sangue, para confirmar a gravidez.

Ela faz diversos planos, e tem certeza de que quando essa criança chegar, se tornará a única esposa do CEO, já que isso é o que ela mais almeja na vida...

O exame chega, e Aisha não consegue disfarçar sua ansiedade, rasga o envelope com pressa em ver uma notícia animadora, só não esperava topar de frente com a palavra 'negativo', não estava grávida do herdeiro do califado dos Faruk.

Falso alarme, e mais uma desilusão para Aisha, que tem certeza que o marido está se apaixonando por outra mulher.

Aisha chora em seu quarto, e começa a bater em seu ventre...

Mansão de Aida (Terceira esposa de Kaled)...

Rafi ajusta os últimos detalhes do jardim, quando observa Aida ainda através das flores...

Os dois trocam olhares, e uma conversa surgi...

Rafi:

- Não deveria estar do lado de fora tão tarde, senhora Aida!

Aida:

- Tive que sair, para tomar um ar. Estava me sentindo sufocada.

Rafi:

- Não fique assim, logo mais seu marido chega para lhe fazer companhia.

Aida:

- Meu marido só aparece de visita em minha casa.

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