POV: Valentina “Você deveria olhar melhor para o homem com quem vai se casar.” A frase de Damon atravessou a sala de reuniões como uma lâmina. Fechei a pasta diante de mim. Ao redor da mesa, os executivos recolhiam documentos e saíam em pequenos grupos, comentando números, projeções e o cronograma de Lisboa. Henrique havia deixado a reunião dez minutos antes, depois de receber uma ligação que, segundo ele, não podia esperar. Damon permanecera. Claro que permanecera. Encostado junto às janelas, terno escuro, mangas ligeiramente puxadas para trás, ele me observava como se soubesse alguma coisa que eu não sabia. Eu odiava aquele olhar. Talvez porque uma parte de mim desejasse entendê-lo. “Não comece.” “Não comecei nada.” “Acabou de insinuar que há algo errado com Henrique.” “Eu disse que você deveria olhar melhor.” “É a mesma coisa.” “Não é.” Levantei-me e guardei os papéis na pasta com movimentos precisos. Meu corpo parecia conhecer uma coreografia para momentos assim: a
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