O som da fechadura foi como um tiro no meio da noite. Aurora, com o coração martelando contra as costelas, viu a porta se abrir por completo. Quem cruzou o umbral foi Esteban.A presença dele tomou conta do espaço imediatamente, carregada daquela falsa calma que sempre o cercava. Ao vê-lo, o terror percorreu as veias dela e o telefone que segurava escorregou dos dedos, caindo no tapete com um baque surdo que, para ela, soou como um trovão.O médico reagiu com uma rapidez impressionante, nascida do instinto de sobrevivência, e se colocou entre Esteban e o aparelho caído. Aproximou-se de Aurora com passos apressados, fingindo uma emoção transbordante que escondia seu próprio medo.—É um milagre! Senhor Rivas, olhe isso! A Aurora finalmente acordou! —exclamou o médico, tocando o ombro dela para dar o sinal de que precisava agir na hora.Aurora entendeu a mensagem em um segundo. Seus olhos, que antes transbordavam angústia, ficaram errantes e vazios. Encolheu os ombros e recuou um passo,
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