O eco da marcha nupcial reverberou contra as paredes de pedra da catedral, um som que, para qualquer outra mulher, teria sido o começo de um conto de fadas, mas que para Aurora soava como uma sentença de morte. Ao seu lado, sentiu a mão do pai, Hugo, apertando seu braço com uma força desnecessária, quase possessiva.—Não ouse estragar isso, Aurora —sibillou ele no ouvido dela, mantendo um sorriso falso para os fotógrafos—. Ande ereta. Pelo menos hoje, com esse vestido, você conseguiu que eu não me envergonhe de apresentá-la em público. Você está… aceitável.Aurora não baixou o olhar. Pelo contrário, virou a cabeça o suficiente para que ele visse o brilho de aço em seus olhos. Um sorriso afiado, quase imperceptível, curvou seus lábios.—Que curioso, papai —sussurrou ela com uma calma que o desconcertou—. Porque eu sim me envergonho de ser entregue por você. Mas não se preocupe, andarei ereta; afinal, você precisa garantir que a mercadoria chegue intacta para que seu cheque não rebote.
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