Aura KellerO dia tinha acabado, mas o ar dentro da sala ainda carregava o peso de tudo o que acontecera.Lucas estava sentado na poltrona grande perto da janela, o terno preto ainda no corpo, a gravata frouxa, o maxilar travado. Ele olhava para algum ponto indefinido do horizonte, mas eu sabia exatamente onde a mente dele estava. Naquela sala de reuniões. Na voz da Beatriz. Na forma como eu tinha sido exposta na frente de todo mundo.Eu me levantei devagar. Caminhei até ele em silêncio e, por trás da poltrona, deslizei os braços pelos ombros largos, descendo até cruzá-los no peito firme. Meus dedos se abriram sobre a camisa dele, sentindo o calor do corpo através do tecido. Encostei o queixo no topo da cabeça dele e fiquei assim por alguns segundos, só respirando junto, só existindo ali.“O que eu posso fazer para você ficar mais tranquilo?” perguntei baixo, a voz quase um carinho.Ele soltou o ar pelo nariz. Uma das mãos grandes subiu e envolveu meu antebraço, apertando de leve, com
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