Alexei MorozovQuinto dia de tortura e o homem está só o farrapo, nem sei como ele ainda respira.— Água — murmura e eu pego uma garrafa de água e levo até ele.Os olhos estão fechados, os lábios cortados e inchados, os cortes pelo corpo estão inflamando e ele está queimando de febre. Matá-lo agora seria uma misericórdia.— Tenho algumas perguntas, cada resposta você ganha um gole de água — proponho, mas ele não me responde. — Não seja burro, Dimitri, está protegendo quem? Você já está praticamente morto, não tem mais nada a perder. Reduza um pouco o seu sofrimento.O homem está tão danificado que não há onde feri-lo, todo o seu corpo é sangue, inchaço e bolhas.— Sou capaz até de te dar uma morte rápida se me responder todas elas. Onde ficam os covis onde escondem as meninas? As casas noturnas, onde são?Ele tenta rir com a minha pergunta, mas o som que sai da sua garganta é um gorgolejo.— Água — repete.— Tudo bem, se não vai me contar, eu vou beber a sua água. Você não deve estar
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