FrancisO horizonte de São Paulo se revelava através da janela do avião como uma imensa criatura de concreto e vidro, uma selva de arranha-céus que parecia não ter fim. Do alto, a capital paulista exibia sua imponência avassaladora: a riqueza pulsante da Avenida Paulista, os helipontos privativos, a arquitetura moderna que rivalizava com qualquer metrópole europeia. Era uma beleza caótica, magnética, que exalava poder.Mas, à medida que a aeronave iniciava a descida em direção ao aeroporto de Guarulhos, depois alugamos um carro para seguir às coordenadas que meu agente havia enviado. Conforme o caminho avançava, a ilusão de primeiro mundo se desfazia no ar. A opulência dava lugar, de forma abrupta, à desgraça da periferia.O cinza dos prédios espelhados era substituído pelo marrom dos tijolos aparentes, pelas ruelas estreitas e labirínticas que cortavam os morros, onde o esgoto corria a céu aberto e a fiação elétrica parecia uma teia de aranha prestes a desabar. O contraste era viole
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