ENTRE O MEDO E A VERDADECARMENEu ainda sentia o medo dentro de mim como algo vivo, como uma sombra que respirava junto comigo, lembrando-me constantemente de tudo o que tinha acontecido. — Cada vez que ouvia uma voz mais firme no corredor ou passos pesados se aproximando, meu corpo reagia instintivamente, como se o perigo estivesse ainda presente, à espreita, aguardando o momento certo para me capturar novamente. Mesmo naquele quarto silencioso, limpo e seguro demais para alguém como eu, a calma da enfermeira ao meu lado, organizando as coisas com serenidade, parecia estranha. — Para ela, era apenas mais um dia comum de trabalho, mas para mim, nada estava normal, nada estava em ordem. Meu coração acelerava ao tentar encontrar coragem para falar; quando finalmente consegui, minha voz saiu baixa e hesitante, como uma criança confessando um erro.— Eu… tenho medo deles. Ela parou o que estava fazendo e me olhou com atençã
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