A noite caiu sobre Zurique sem cerimônia.O lago estava escuro, apenas recortado pelas luzes distantes da cidade. No apartamento, o silêncio tinha uma densidade diferente daquela das noites anteriores.Não era apenas cansaço.Era o peso de saber que a próxima fase seria mais dura.O documento manipulado ainda estava aberto na mesa da sala. Os papéis, as anotações, os gráficos ampliados — tudo parecia congelado no tempo desde que haviam percebido a fraude.Lívia estava sentada no chão, encostada no sofá, os joelhos dobrados contra o peito.Dante a observava da cozinha.Nenhum dos dois tinha dito muito nas últimas horas.Não porque faltassem palavras.Mas porque havia momentos em que falar parecia pequeno demais para o tamanho da pressão.Ele desligou a luz da cozinha e atravessou a sala.Sentou-se no chão ao lado dela.— Você não parou desde de manhã — disse, baixo.Lívia soltou o ar devagar.— Se eu parar… começo a pensar em tudo que pode dar errado.Ele não respondeu imediatamente.A
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