Cap 66. Nada estava realmente seguro.
Milena já estava com quase oito meses de gravidez, e o corpo começava a denunciar cada dia que passava. Os pés inchavam com facilidade, as costas reclamavam no fim da tarde, e os bebês pareciam disputar espaço dentro dela com chutes firmes e impacientes. Ainda assim, a sensação de estar sendo observada nunca a abandonava. Havia dias em que ela se sentia ridícula por isso. Milena subiu algumas vezes até o terceiro andar da mansão, quase sempre sozinha. O corredor silencioso, a porta sempre fechada, as flores frescas trocadas religiosamente, como Marcelo havia determinado aos empregados. O quadro pintado pela mãe de Marcelo ainda ocupava o mesmo lugar na parede, um campo florido sob um céu suave, pinceladas delicadas que carregavam uma paz quase dolorosa. Milena sempre sentia um aperto no peito ao observá-lo. Havia amor ali, mas também havia perda. Marcelo estava mais calmo, a sombra de Sabrina havia desaparecido. Nenhuma ameaça, nenhum recado velado, nenhum rosto estranho sur
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