Olívia Narrando Eu nunca imaginei que mudar tanto pudesse me dar essa sensação de renascimento. Pintei o cabelo de preto pela primeira vez na vida. O tom é profundo, quase azulado sob a luz do quarto, e cortei em um chanel perfeito, que emoldura o rosto com precisão cirúrgica. As lentes de contato castanho-escuras transformaram meus olhos em algo impenetrável, misterioso. Fiz o preenchimento labial para dar volume sutil, a rinoplastia afinou o nariz com delicadeza, e a harmonização facial ajustou cada contorno, maçãs mais altas, queixo mais definido. Tudo para encaixar na April que eu criei. Nada lembra a antiga eu. Estou me recuperando ainda das sombras da vida de Henry, dos Taylor e daquela sonsa da Emily, que sempre pareceu flutuar pelo mundo sem entender as profundezas das traições. Eu estou acompanhando tudo de longe, com cautela, enquanto os hematomas dos procedimentos diminuíam e a nova identidade se consolidava nos documentos falsos. Ontem, finalmente, consegui contato co
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