Entre Dois Amores

Entre Dois AmoresPT

Amanda Kraft  Em andamento
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Resumo
Índice

É possível uma amizade de infância ser abalada pela presença de uma bela jovem? Miguel é um rapaz que cresceu no sítio do pai, ajudando-o na lida da terra. Tímido, de fala mansa, vê-se perdidamente apaixonado por Jussara, assim que coloca os olhos nela. Nunca, em toda a sua vida, sentira o coração martelar no peito daquele jeito, quando a italianinha passava perto dele. A boca secava e frio no estômago fazia com se sentisse doente, sem saber que o nome atribuído a isso era amor. Antenor, amigo de infância de Miguel, jovem engraçado de quem todos gostavam, falador e namorador, percebe o embaraço do amigo ao ver a bela Jussara caminhando por aquelas terras, resplandecendo feito sol. Em princípio, se propõe a ajudar Miguel a conquistar a menina, sem imaginar que essa ajuda se transformaria num fardo, ao sentir o próprio coração acelerado cada vez que a contemplava. Jussara, uma jovem que em breve se tornará professora, vindo da cidade, torna-se vizinha de Miguel e Antenor. Dona de cabelos da cor do milho e de um par de olhos azuis inteligentes, sente-se atraída por Miguel. Contudo, o sorriso fácil que lhe sai dos lábios quando vê Antenor, a faz questionar para que lado pende seu coração, esquecendo-se de que o segredo que guarda a sete chaves, poderá colocar a vida de Miguel em perigo, impedindo-a de tomar uma decisão.

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45 chapters
Capítulo 1
Naquele sítio, lá pras bandas do Pau Seco, morava Miguel. Desde menininho era tímido. Franzino, de pernas finas e rosto sardento, parecia ser realmente o que era — um moleque de sítio. Vivia correndo pelas terras do pai, de pé no chão, com o embornal amarrado na cintura e o estilingue na mão, pronto para ser usado em alguma rolinha atrevida, ou para espantar as cobras do caminho. Era danado, o menino. Subia em todas as árvores que via, nadava no lago formado pelo riachinho que corria manso perto da sua casa e seguia serpenteando pelos campos vizinhos. Saía de casa com o sol raiando no horizonte e só voltava quando a noite começava a cair serenando. E tudo isso tinha um motivo. — Aonde você vai tão cedo, moleque? — perguntava a mãe, desconfiada, colocando a caneca de café fumegante na mesa, enquanto ele atacava o bolo de fubá, bebia o leite e roubava uma broa de milho, tudo com uma pressa danada — Vai engasgar menino! — ralhava ela, não escondendo seu orgulho
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Capítulo 2
Ali ele ficava, coração em chamas, espreitando atrás do bambuzal, feito um ladrão prestes a roubar-lhe a chave da alma. Queria se aproximar, perguntar o que ela fazia todos os dias na cidade, mas nunca teve coragem. Cresceu, entretanto não perdeu a timidez de menino. Sempre que se sentia nervoso, gaguejava, e não queria se ver em dificuldades, justo na presença dela. Então só lhe restou travar amizade com o cão, com quem podia conversar livremente, sem qualquer receio, sentindo os pelos sedosos por entre os dedos, imaginando as mãos pequenas da italianinha a tocá-los, como ele próprio fazia. Na missa, aos domingos, fincava os pés no fundo da capelinha, longe dos pais que se sentavam em frente ao altar, só para poder admirar a menina que sempre chegava quinze minutos antes do padre sair da sacristia e pegar o rumo do púlpito. Ela entrava majestosa, de cabeça erguida, parecendo uma fada e, entre seus pais, sentava-se na primeira fila de bancos. Dali a via de perfil e admirava
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Capítulo 3
A trava dos olhos de Miguel se abriu de repente. Seu rosto enrubesceu e um calor espalhou por seu corpo, ao se dar conta de que não era o único a olhar para a menina, que seguia escoltada pelo pai, enquanto a fila de marmanjo do lado oposto a acompanhava com os olhos. Sentiu-se um louco impotente quando um pensamento cruel lhe atravessou a alma: Com tanto homem ali, na idade de se casar, por que ela daria uma chance a ele? Um rapazote que tentava se tornar homem? — ÁimeJesuCristin. O mulequetámesmapaixonado. (ai meu Jesus Cristinho. O moleque está mesmo apaixonado) — debochou Antenor, imitando os trejeitos mineiros, encurtando as palavras e interrompendo seus pensamentos. — Ara, cala essa boca. — pediu, desviando o olhar do amigo. — Bom, eu posso te ajudar se quiser. — disse Antenor num misto de seriedade e um quê de raiva. — Ahn? Ajudar com o quê? — Não se faz de sonso, Miguel. Se quiser, eu posso falar com ela pra
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Capítulo 4
Seguiram em silêncio, caminhando pela trilha de terra batida que passava ao lado da mata fechada. Com os pensamentos “tremulando” dentro da cabeça, Miguel mal percebeu o sol queimando sua pele clara, que perpassava as copas das árvores, e tampouco ouviu o trinado do sabiá na laranjeira carregada de botão. Nada daquilo lhe chamava mais a atenção. Sua mente tinha um único objetivo. — Tâmo chegando – disse Antenor, alegre, avistando as águas barrentas do rio – Quem chegar por último é mulher do padre. Correu, saltitando em direção ao Rio das Pedras, tirando a botina no meio do caminho, as meias, a camisa, enquanto gritava alegre, espantando a passarada do arvoredo. — Hul, Hul. Vem Miguel! A água tá morna que só vendo — chamou-o, enquanto mergulhava na água refrescante. Miguel sorriu da criancice do amigo. Era sempre assim quando Antenor via uma água convidativa, e por um instante, esqueceu-se da razão de estar ali. Subiu numa enorme pedra fincad
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Capítulo 5
A Italianinha Jussara achou engraçado o jeito estático do garoto Miguel quando o surpreendeu no Rio das Pedras. Viu-o na Missa de manhã e pôde notar seu olhar de adoração cravado nela, como um devoto prostrado no altar de um Santo. Sabia que chamava a atenção. Não era tola. No cursinho, que frequentava na cidade, também tinha seus admiradores, porém nenhum tão tímido e doce quanto aquele. Pelo contrário, eram todos esnobes e atirados. Fingia que não o via escondido por entre as árvores todas as manhãs, quando abria a porteira e se dirigia à estrada de terra batida, à espera do ônibus escolar. No começo sentiu medo dele. Um garoto espreitando uma garota não podia ser boa coisa, contudo, algo a impediu de contar ao pai. Por precaução, deixava Princesa — a fêmea de Pastor Alemão — acompanhá-la no percurso. Sentada no banco duro e sacolejante do ônibus, se punha a pensar na falta de latidos de Princesa. Com aquele faro apurado, nem sequer erguia as orelhas para o lado do garoto
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Capítulo 6
E agora ela estava ali, naquele pedaço de chão tão importante para o pai e para a família em si. Fora forçada a se mudar, por não querer magoar o pai. No começo havia odiado o lugar e o sacrifício que fazia para se manter no estudo. Mas então as coisas começaram a ficar interessantes, principalmente quando teve a coragem de interpelar Miguel em um de seus retornos da cidade e ver seu rosto enrubescido. Ela desceu do ônibus, como sempre fazia. Princesa a esperava deitada no capim, ao lado do ponto. — Olá, garota — disse, afagando seus pelos macios com a mão alva. Avistou-o no lugar de sempre, escondido atrás do bambuzal. Decidida, parou na estrada, ergueu-se e acenou para ele. Por um instante, nada aconteceu. Pensou ter imaginado tudo aquilo, sentindo um frio na boca do estômago, mas então, a sombra se mexeu e de repente ele descia o barranco, com a cabeça curvada, levantando poeira com os pés. — Olá. — E disse com um sorriso nos lábios, que aprendera
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Capítulo 7
Quem é dono dos seus sentimentos? Pensava Antenor, sentindo um aperto n peito. Quem pode deter a força de uma tempestade ou o rio de correr em direção ao mar? Ninguém. Tampouco ele conseguia deter a força que brotava no meio do coração e se esparramava pela barriga, destilando o frio na boca do estômago, embriagando e o deixando cego para todas as coisas ao seu redor. E que decepção ver a menina fazendo Miguel se revelar no meio do bambuzal e o chamando sem lhe dar o merecido sermão. Agora caminham juntos pela estrada deserta naquele cair da tarde, com a fêmea de Pastor Alemão saltitando a seus pés, como dois pombinhos no ninho. Sim. Ele também se escondia nas sombras, observando o amigo. Aquele sumiço nas tarde que eram destinadas aos dois, o deixou acabrunhado. Sabia que aquilo tinha a ver com a menina clara, levando-o a seguir Miguel. Foi assim que o descobriu. Ele, Antenor, a vira primeiro. Não vira? Se não foi esse o caso, com certeza falara com ela primeiro. E
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Capítulo 8
Jussara saiu da escola mais cedo naquele dia. Um professor havia faltado. Haveria um substituto, mas ela preferiu deixar a sala de aula e voltar para casa. Não achava a matéria tão importante assim para ter uma aula que sabia que não seria aproveitada. Com certeza não faria falta nenhuma deixar de aprender um pouco mais sobre Sociologia. Seus pensamentos seguiam outro rumo. Contudo, não se deu conta de que sua atitude implicaria em tomar o ônibus mais cedo e, sendo assim, Miguel ainda não estaria lá. Ficara pensando no rapaz tímido e em sua destreza quando o assunto era sobre o que a Terra produz se bem tratada. Poderia ouvi-lo por horas sem se cansar. Havia algo melódico e mágico em sua fala cadenciada. Havia paixão. Havia a segurança e a certeza, o que deixava sua fala solta e fluida, bem diferente quando o assunto se referia a alguma namorada. Daí ele se perdia, ficando totalmente aparvalhado e gaguejante. — Você tem namorada, Miguel? – Jussara perguntou-lhe d
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Capítulo 9
Com um sorriso nos lábios, recordando o prazer que sentia ao estar com Miguel, resolveu sentar-se no velho tronco de árvore caído e esperá-lo. Um barulho estranho se fez alguns metros de onde ela estava, assustando-a. Levantou-se, segurando os cadernos apertados contra o peito. Olhou ao redor e nada viu. Que tipo de bicho poderia estar escondido no meio do bambuzal ou das árvores de tronco largo, mais à frente? Seu pai falara em onça do mato não fazia muito tempo, e ela, distraída na conversa com Miguel, esquecera-se de lhe perguntar. E se fosse onça? Apurou os ouvidos e só ouviu um bem-te-vi cantando. Um pouco trêmula, sentou-se novamente. Olhou para o relógio e viu que ainda faltava hora e meia. Um galho estalou não muito longe dali. Ergueu-se num salto e olhou na direção do som, sentindo medo. Então o viu saindo por entre as árvores e aos poucos foi soltando o ar que, sem perceber, havia prendido. — Olá — ela acenou, enquanto o via se aproximar — O que faz aqui há
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Capítulo 10
Antenor seguia feliz, tendo o braço dela enlaçado ao seu, no exato momento em que Miguel espiculava o pai na roça. O cheiro dela se misturava às flores de laranjeira que brotavam nos troncos das pequenas árvores, prometendo uma farta colheita. Imaginava o roçar do vestido dela em sua calça de brim cáqui, enquanto caminham ao sol que começava a se deitar no poente. Que sorte tivera ao vir mais cedo naquele dia. Queria ficar escondido e ver Miguel chegar com a cara amarrada. Torcia para presenciar uma briga entre o amigo e Jussara, causada pela informação que lhe dera mais cedo. Então, a vira ali. Sentada, perdida, amedrontada, esperando por alguém que acabasse com seu tormento. Esse alguém seria ele. Teria que se lembrar de agradecer ao professor que faltara naquele dia, pensara exultante. — Olha que pássaro bonitinho! — Exclamou Jussara, interrompendo seus pensamentos. — Onde? — Perguntou olhando para os lados. — Lá, pousado na porteira. — Ah! Aquele
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