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Eduardo Miranda  concluído
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Resumo
Índice

Em 1937, década de glamour para elite social paulistana ficou marcada pela tragédia que se abateu sobre a família Reis. Uma história de ficção baseada em mistérios reais que perturbam até hoje todos aqueles que procuram saber um pouco mais sobre o Castelinho da Rua Apa.

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10 chapters
METRÓPOLE
Cai a noite na metrópole e as luzes da avenida Paulista acendem dando um show à parte na cidade de São Paulo, um charme ao centro financeiro reconhecido no mundo inteiro. Seguindo pela rua da Consolação a beleza mundial vai se metamorfando com travessas escuras, ruas sujas e mendigos jogados nas calçadas, o brilho dá lugar á tensão, traficantes assumem o controle do comércio local, na Praça da República garotos e garotas de programa iniciam sua noite de trabalho, alguns trabalhadores correm para pegar o ônibus ou descem as escadarias do metrô á toda velocidade; uns querem chegar cedo em suas casas e outros querem apenas estar longe daquele lugar onde passam o dia testemunhando de perto as distâncias sociais entre a população.            Ercília corre por entre as ruas estreitas da comunidade d
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O CASTELINHO
Antony entrou na mansão com arquitetura medieval francesa em formato de castelo, realmente havia um aroma de bolo de milho no ar, instigando seu jejum a ponto de seu estômago soltar um enorme rugido. Docemente a senhora o guiava segurando sua mão, era tudo tão lindo que ele não conseguia desgrudar os olhos dos lustres, prateleiras com flores e detalhes de molduras das enormes portas e janelas.  Sentiu algo diferente na sola dos pés, olhou e ficou mais encantado ainda, o jovem estava caminhando em um tapete de urso polar com pelos fartos e macios; o piso do salão principal era de madeira; havia também lareira enorme adornada por alguns porta-retratos e pequenas estatuetas; as cortinas de cor marrom se destacavam com o bege das paredes e o branco do tapete de urso polar. Antony olhou para cima e ficou boquiaberto com detalhes dourados que formavam um desenho decorativo pelos quatro cantos do teto; no centro uma mesa de vidro com moldura trabalhada e também dourada; pouco antes do
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UMA NOITE NO CASTELINHO
A lua cheia invadia local pela enorme janela de estilo europeu do salão principal ajudando as fracas e amareladas arandelas a clarear o ambiente sombrio, ao fundo ouvia-se a música “Se faltar o seu amor’ de Abênzio Perrone que ecoava da vitrola por todo o castelinho. Candinha estava sentada na poltrona ao lado do aparelho de som com os olhos fechados e a alma mergulhada em uma espécie de transe emocional, sorria e balançava suavemente a cabeça como um pêndulo, no ritmo da música. Do lado oposto do salão estava Tony, agarrado nos braços da poltrona atento à qualquer movimento estranho e suspeito, seus olhos arregalados mostravam o quanto ainda estava assustado e com medo. O jovem começara a se preocupar com sua distância de casa e com o fato de estar em um lugar estranho com pessoas que por mais simpáticas que fossem, eram igualmente estranhas e observando aquele momento ú
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SOMBRAS NA NOITE
Após o jantar a família retorna para o salão principal, Tony segue assustado com o clima mórbido e toda a sensação que lhe causa calafrios voltou, Candinha toma uma xícara de café enquanto Baby apenas acompanha seu namorado com um licor de menta, ambos calados. Um forte vento ecoa pelos corredores do castelinho, algumas cortinas estufam até seus limites depois voltam ao normal quando o vento acalma, os pequeninos vãos das enormes janelas assoviam quando o vento passa dando a impressão de que realmente tem alguém fazendo aquele ruído. Quando uma das cortinas se estufou novamente, Tony viu a claridade da rua e percebeu que não ouvia ruídos de pessoas passando pela calçada, ou de carros pela avenida, mesmo sendo um cruzamento movimentado. Tal observação lhe chamou a atenção e lentamente ele se levantou da poltrona e foi caminhando para a janela, qu
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UMA MÃE EM DESESPERO
A claridade que invade os cômodos do castelinho anuncia o amanhecer de estiagem, Tony abre lentamente os olhos, a visão ainda turva de que acabou de acordar e uma consciência igualmente lenta lhe dá alguns minutos antes de colocar as ideias e lembranças nos eixos. Quando se vira na poltrona e olha para o lado oposto do salão vê uma verdadeira multidão de pessoas, homens, mulheres, jovens e muitas crianças, alguns sentados outros em pé e todos com um aspecto de morto vivo, pele acinzentada, olhos fundos e escuros, em pele e osso. Tony entrou em choque, perdeu a voz, agora com seus olhos arregalados tinha certeza do que estava vendo e uma forte dor de barriga lhe submeteu fazendo-o se encolher como um tatu bola. A dor foi amenizando, sua respiração ainda estava acelerada quando teve coragem de novamente olhar para o lado oposto do salão e um alivio percorreu-lhe a alma ao constatar que já n&
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UM DIA DE TREVAS
A Cabeça De Tony está como legumes em uma centrífuga, girando e moendo, seus pensamentos estão turvos e o medo lhe domina completamente. Toda a beleza que lhe encantou ao chegar ali no castelinho havia se dissipado e a bela impressão foi substituída por tensão. Algo cresceu dentro dele, uma suspeita de que tudo aquilo estava muito errado, desde o comportamento da Sra. Candinha e dos filhos até as assombrações que o afligiram e ninguém se importou. Ao mesmo tempo que queria ir embora, algo muito forte o mantinha ali, talvez fosse seu destino ficar naquele castelinho e dar um pouco de alegria para aquela mulher que vivia entre as desavenças dos filhos ou a Sra. Candinha talvez fosse apenas uma senhora arrogante que manipulava pessoas, inclusive seus filhos. O fato é que Tony já perdera o fascínio por todo aquele luxo e decidiu ir embora. Neste momento de decisão, estava sent
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AS BUSCAS POR ANTONY
Os policiais param a pick-up na Praça Princesa Isabel, centro velho de São Paulo, imediatamente descem e iniciam as buscas na região, o tempo nublado e úmido não desanima a dupla de oficiais da lei. Logo descobrem que a linha 278 tem seu ponto final em uma travessa fora do terminal de ônibus. Ao chegarem no local encontram uma pequena fila de passageiros que aguardam o ônibus ao lado de uma pequena cabine onde está o fiscal da linha.            -Boa tarde! – Antunes se apresenta com o distintivo de policial detetive em mãos. -Preciso fazer umas perguntas.            -Sim claro! Se eu puder ajudar. – O homem de estatura média careca, com barba grisalha e camisa azul da empresa de ônibus se mostra disposto a ajudar.         
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NOITE DE REUNIÃO
Ao fechar o registro do chuveiro um ruído de metal enferrujado surpreendeu Tony, afinal de contas naquela mansão em formato de castelo tudo era novo e brilhava, “-Como poderia um registro aparentemente novo estar com as engrenagens enferrujadas? ”            O jovem pegou o cabide atrás da porta do quarto e colocou na cama, uma roupa estranha que não combinava com ele, camisa branca, calça social cinza chumbo, sapatos pretos e meias brancas, uma gravata borboleta cinza chumbo e algo que Tony nunca vira ninguém usar, um suspensório.            Na copa Candinha passa algumas instruções para Elza, sobre o que será servido aos convidados quando um vulto se aproxima da porta dos fundos chamando a atenção da matriarca e automaticamente interrompendo a conversa entre elas
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MAIO DE 1937 - TRAGÉDIA NO CASTELINHO
O castelinho da rua Apa está em silêncio profundo, seus cantos escuros e quietos guardam segredos terríveis, uma brisa gélida percorre todo o imóvel carregando consigo o odor da morte. Tony está no quarto dos hóspedes, sentado na cama olhando pela janela, a escuridão da noite é de uma densidade jamais vista por ele, nesta escuridão não há sons de carros na rua, nem de pessoas passando, nem há estrelas no céu e para completar o cenário sinistro, a lua cheia desapareceu. O garoto escuta sua própria respiração e um amargor na garganta, um misto de náusea e azedume que o incomoda e aos poucos vai deixando o medo dominar sua sanidade. Ele não percebe, mas seu aspecto físico já não é o mesmo de quando chegou naquele lugar, seus olhos arroxeados escuros e profundos se destacam em um corpo mirrado, em pele e osso, feridas surg
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FIM DAS BUSCAS
O motorista Chiquinho se tremia todo, seus olhos estatelados mostravam todo seu terror diante dos policiais que agora se posicionavam de forma ameaçadora, Antunes puxou uma cadeira e sentou-se com o peito no encosto e de frente para o Taxista, Gabriela ficou ao seu lado de braços cruzados e com cara de poucos amigos.            E então Chiquinho? – Antunes olha fixamente para o homem sem piscar. -Desembucha.            -Sim, eu vou contar tudinho.            -Fale logo, estamos perdendo tempo. – Gabriela estava impaciente.            -Certo, certo! – Chiquinho esfregava as mãos mostrando todo seu nervosismo. -Eu tinha uma corrida agendada para as seis horas da manhã e estava atrasado
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