Capítulo 6
Evitar Colton desde o incidente deles tinha sido mais fácil do que Kate esperava. Ele tinha voltado a levar mulheres para casa, e, embora a mulher gritasse, gemesse e a cabeceira da cama batesse violentamente contra a parede fina, Kate permanecia calada. Ela não queria chamar a atenção dele e, para ser justa, depois de terem passado um tempo juntos, ela compreendia. Também não tinha visto muito Austin e era grata por isso.

Mas ela sabia que aquilo não duraria para sempre.

Voltando para casa após sua corrida, Kate subiu a escada, enxugando o suor da testa. Ela congelou ao ver Colton sem camisa, as costas mais uma vez cobertas por arranhões, o cabelo bagunçado e úmido. Ele deu uma longa tragada em seu cigarro e se virou.

O estômago de Kate se revolveu. Ela não sabia o que esperar, mas achou que seria no mínimo algum comentário malicioso. Repreendendo-se por desejar a atenção dele, ela saltou os degraus restantes e destrancou a porta da frente.

“Você não deveria fumar no corredor. Deveria ir lá fora." A Sra. Huang, do quinto andar, resmungou, enquanto lutava para carregar duas sacolas pesadas. Ela era franzina e morava sozinha, e Kate sempre fazia de tudo para ajudá-la.

Colton revirou os olhos, claramente irritado com o comentário da mulher. "Estamos do lado de fora. Você é cega?"

"Estamos em uma escada", ela retrucou, parando no andar deles para tomar um pouco de fôlego. Seu rosto estava avermelhado e era claro que ela estava sofrendo.

“Vá encher o saco do proprietário, se isso te incomoda tanto”, Colton rosnou, exalando com força uma golfada de fumaça no rosto da mulher.

Ela cambaleou para trás, em choque com a total falta de respeito dele, e seu rosto ficou vermelho de raiva. Kate saltou para frente, balançando a cabeça em um gesto de desaprovação, enquanto pegava as sacolas pesadas dos braços debilitados da Sra. Huang. "Deixa que eu te ajudo. A senhora tem mais lá embaixo?”

A pequenina mulher retomou a compostura, agradecendo: “Tem mais algumas. Eu posso te ajudar a trazer para cima.”

Kate balançou a cabeça. “Não seja boba. Eu vou pegar para a senhora. Só suba e destranque sua porta.”

As juntas da Sra. Huang rangeram quando ela subiu as escadas, com a mão apoiada no corrimão empoeirado em seu auxílio.

Virando-se para o homem sem camisa, que agora fumava um novo cigarro, Kate estreitou os olhos em um semblante de desgosto: "Tem alguma coisa seriamente errada com você, Colton."

Ele não disse nada, só deixando uma rajada de fumaça escapar de sua boca enquanto ria. Kate fez uma careta, voltando-se para as escadas, para ajudar a Sra. Huang com suas compras. Ao entrar no apartamento da senhora, Kate colocou as sacolas no balcão e ajudou a Sra. Huang com as poucas garrafas que seus dedos artríticos lutavam para segurar. Ela disse que voltaria logo e começou a descer as escadas para pegar o restante das sacolas.

O som de uma porta batendo a fez revirar os olhos. Típico do Colton. Ele era só um idiota. Ela se sentiu aliviada porque ele estaria em seu apartamento, e ela não teria que lidar com ele e sua atitude patética, mas quando deu os últimos passos para o quarto andar, viu o resto das sacolas da Sra. Huang, encostadas contra a grade.

Kate abriu a boca, mas, sem saber o que dizer, fechou-a novamente. Tinha que ter sido Colton. Talvez ele se sentisse mal, Kate se perguntou, mas o pensamento a fez rir. Ela não conseguia imaginar Colton James se sentindo mal por nada.

Depois de mais duas viagens, Kate entregou as compras da Sra. Huang em sua bancada e pediu desculpas pelo comportamento ridículo de Colton. A senhora balançou a cabeça, lembrando Kate que ele não era responsabilidade dela.

“Sinto muito por você ter que morar ao lado dele”, ela deu um tapinha na mão de Kate. “Ele é um menino terrível, terrível.”

Algo dentro de Kate queria defendê-lo, queria dizer à Sra. Huang que ele havia trazido suas compras e talvez ele não fosse tão ruim assim, mas ela se conteve. A quem ela estava enganando? Ele tinha acabado de soprar fumaça no rosto da mulher. Ela assentiu e perguntou à Sra. Huang se ela precisava de mais alguma coisa. A pequena mulher sacudiu os cabelos grisalhos e agradeceu profusamente a Kate, esperando para fechar a porta até que Kate estivesse completamente fora de vista.

A porta do apartamento de Colton ainda estava fechada, e Kate se perguntou se Austin teria voltado para casa e levado as sacolas. Parecia uma explicação mais plausível. Ela pensou em bater na porta dele para agradecê-lo, mas percebeu o quão estúpido isso soava, voltando para seu apartamento.

*

"Me deixe te ajudar com isso."

A voz de Austin ecoou pela escada enquanto Kate lutava para pegar suas chaves caídas, carregando sua bolsa e as pilhas de arquivos que ela havia levado do trabalho para casa na noite anterior. Ela deu um salto, virando-se para encarar o loiro desgrenhado com olhos azuis escuros.

"Obrigada", ela sorriu, os dedos dele roçando os dela quando ele devolveu as chaves. "Eu não tenho te visto muito ultimamente."

Austin assentiu, enfiando as mãos nos bolsos da calça jeans e mirando timidamente os pés. “Sim, estive fora, a trabalho. Eu meio que pensei que você... talvez você estivesse me evitando.”

As bochechas de Kate coraram, envergonhadas por ter sido pega. "Achei melhor manter distância, dadas as circunstâncias", ela apontou para o apartamento dele: "Seu colega de quarto e eu não gostamos um do outro. Não quero nenhuma treta."

"Eu consigo lidar com um pouco de treta", ele riu, correndo os dedos pelo cabelo.

"Tenho certeza que você consegue", Kate sorriu. Seu coração acelerou quando ele descansou o antebraço contra a parede, a ponta de sua camiseta branca subindo e revelando profundos músculos em V de seu abdômen inferior.

Notando o olhar dela, Austin mordeu o lábio. "Então... você está livre para uma bebida hoje à noite?"

Kate fez uma pausa, seus dedos mexendo distraidamente nos papéis em suas mãos. Ela não tinha sido capaz de esquecer a sensação da boca de Colton na dela; a sensação da boca dele contra a junção de suas coxas. Talvez uma noite com Austin fosse exatamente o que ela precisava. Afinal, era sexta-feira e ela sairia do trabalho mais cedo do que o normal. Depois de um momento, ela acenou com a cabeça: “Sim. Sim, uma bebida parece bom. Saio do trabalho às 16h, então podemos nos encontrar às 17h?"

Lambendo os lábios, Austin abriu um pequeno sorriso, abaixando-se para lhe dar um selinho. Kate não teve a chance de reagir, até que ele se afastou. "Ótimo, te vejo às 17h."
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