Um Idiota em Minha Vida
Um Idiota em Minha Vida
Por: Nayla Quill
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"Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente.

Sou isso hoje...

Amanhã, já me reinventei.

Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.

Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...

Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também!"

(Tati Bernardi)

 Socorro, minha unha quebrou!

Ao ver aquela parte pequena ter sido arrancada quase na metade dela fiquei pasma. Era véspera do primeiro dia de aula do último ano do ensino médio e eu iria começar com o pé esquerdo?

 Não, não, não.

E simplesmente com o pensamento de que nada poderia dar errado disquei um número rapidamente. Eu era praticamente a mais popular da escola, presidente do conselho estudantil por três anos seguidos e iria aparecer assim? Seria o caos.

- Alô. – minha mãe atendeu do outro lado da linha.

Parecia um pouco bêbada e até alegre. E isso significava que ela estava em uma daquelas noites com o meu pai. E só de imaginar isso me dava calafrios e uma vontade imensa de enfiar a minha cabeça na privada e vomitar.

Além de que ainda são 20h.

- Compra o esmalte tentação, por favor. Alerta feminino número 11. – gritei.

 Sim, eu olhei na nossa lista. Não tinha como decorar todos.

- Quebrou a garra meu anjo? Trarei o mais rápido que puder. – finalizou.

Nem se despediu de forma carinhosa como sempre fazia. E isso significava que realmente a hipótese de que estariam em uma milésima lua de mel estava certa. Rapidamente despertei com o toque do celular.

“Eu quero morrer. O Taylor terminou comigo e eu não sei o que fazer, pois não posso parecer sem namorado no primeiro dia. Seria dizer que eu não sou bonita o bastante para arranjar alguém.” – Alisson.

 Apresento-lhes a pessoa mais dramática que conheço.

Mas o quê? Ela me chamou de feia? Não, eu nem poderia ter lido alguma coisa dessas. Só porque não tenho um relacionamento sério com alguém há dias os outros poderiam achar que eu não tenho boa aparência? A Ali enlouqueceu, só pode.

 “Esqueceu que eu também não tenho?” – Eliana

E enquanto esperava a resposta fiquei colocando a unha postiça com esforço. Meu coração praticamente pulava e eu tremia como gelatina, só parando quando consegui encaixar com perfeição.

“Mas você é adorada por todos por outro motivo, já minha reputação é sempre estar com os caras mais gatos. Eu não posso dar bandeira de que estou solteira!” – Alisson.

Ela tem razão. Apenas preciso aparecer para ser ovacionada, entretanto com minha amiga é diferente. Só que nunca presenciamos outra experiência que não sermos constantemente admiradas.

 “E eu que lasquei minha unha?” – Eliana

 Rebateu com tudo.

 “Que horror! Mas estamos falando de outra coisa agora. Eu quero alguém para ficar comigo :(.” – Alisson.

 Somos seres egoístas de natureza. Até porque teríamos que ter algum defeito.

“É simples: se alguém perguntar diga que seu paquera estava doente, e depois arranjaremos outro para substitui-lo.” – Eliana.

E então o caso foi resolvido, enquanto procurávamos alguma vitima no f******k. Não achamos nenhum por enquanto.

 “Eu quero o meu Taylor. Não tem sentindo ficar sem ele.” – Alisson.

 Repetindo: Drama.

 “Tem outros bem melhores.” – Eliana.

E foi neste momento que um barulho foi ouvido da cozinha, provavelmente meu pais haviam chegado. Foi quando desci para pegar o meu esmalte que vi os dois se beijando no sofá e quase fazendo algo a mais, o que me deixou completamente enojada.

 Okay, eu sou virgem. E sim, foi desnecessária essa informação.

O som do meu aparelho soou de maneira alta, fazendo-me não ter o trabalho de interrompê-los.

Levantaram-se de súbito de maneira sem graça. Não me entendam mal, eu adoro a forma como eles se amam como se tivessem dezessete anos ainda, mas é que eles tem de entender que tem outras pessoas na casa.

Minhas mãos tampavam meus olhos para que não pudesse presenciar algo asqueroso e traumatizante.

Lembro-me quando os flagrei nos finalmente e não consegui dormir por dias.

- Estão vestidos? – questionei.

- Está mais do que na hora de se acostumar com isso querida. Mas já estamos sim. – repreendeu meu pai.

Rapidamente fui em direção a eles e peguei o que queria, correndo até meu quarto e comecei a pintar a unha postiça de um vermelho chamativo. Não que eu precise, porque mesmo usando branco as pessoas me veem, já que tenho os olhos azuis e sou ruiva.

 “Vou morrer, o Taylor colocou uma foto com outra garota.” – Alisson

Fui no computador e constatei o que dizia. Eu conhecia a garota, uma morena de olho castanho, mas que não era tão bonita quanto minha amiga.

 “Não faça besteira, por favor, por mim” – Eliana.

O fato é que sempre comete alguma loucura, como cortar os pulsos, tanto que um dia tive que leva-la ao hospital, e até ficar implorando para que voltem para ela.

Seu histórico de namoros era imensa, o que me fez muitas vezes ter de defende-la de levar um tapa de um ex. E deve ser por isso que eu não confio muito em homens.

 “Vejo-te amanhã, beijos e boa noite” – Alisson.

Respondi rapidamente e deitei-me na cama quentinha, já sabendo o que me esperava no outro dia.

Escola, conselho estudantil e várias pessoas ansiosas para falar comigo.

 Toda escola tem uma rainha, e eu sou a da minha.

O corredor é o meu lugar favorito do colégio, simplesmente por sempre haver olhares em minha direção enquanto a Ally me acompanhava. Logo James e Patrick, sendo que este último é gay, foram ao nosso lado.

- Você é a tão famosa Eliana Dalton? – questionou uma novata.

 Minha popularidade ultrapassa as barreiras da instituição.

- Estais falando com a própria. – respondi com um sorriso.

- Você é demais! Não acredito que conseguiu trazer suco de soja, hambúrguer e alimentos mais comestíveis para essa e outras escola. E ainda ampliou o número de livros da biblioteca e diminuiu o preço do xerox daqui. – falou sem nem respirar direito.

- Sim, e espero que goste daqui... – confusa.

- Chamo-me Abigail. – respondeu-me.

- Então Abby, eu desejo que se de bem aqui. – continuei.

- Você também Lie. – finalizou ao ir para a sala.

Esse era meu apelido. E é o que realmente me rodeia, a mentira. O que é irônico. Porque eu gosto de livros e finjo nem saber o que significava, adoro animes e nunca sequer contei para alguém ou toquei nesse assunto.

Na verdade o que mais prefiro é a animação chamada Pokémon.

Essa paixão começou quando o meu irmão foi para a universidade em outro Estado e deixou a sua coleção comigo, como camisetas, pokebolas, figurinhas e muito mais. No começo nem liguei e apenas deixava no meu armário para que meus pais não descobrissem que ele ainda gostava disso, mas depois acabei me viciando também.

Quando fico trancada dizendo que estou me arrumando, a verdade é que estou jogando videogame no mudo ou lendo algo.

- Quem quer concorrer à presidência do conselho estudantil? – perguntou a professora.

E eu levantei o dedo rapidamente e me dirigi para a frente da sala, olhando cada um atentamente com a felicidade estampada no rosto. Só que esse momento durava pouco, pois logo Vicent Mitchell se dirigia ao meu lado.

Ele sempre competia comigo, mesmo perdendo, desde o último ano do ensino fundamental.

Realmente me irritava um pouco, mas nada que me fizesse odiá-lo. Todavia meu rival era, e conviver com ele por alguns meses não era nada agradável. Apesar de ser bonito com aqueles olhos verdes azulados, cabelo loiro e um corpo sarado.

Fitou-me com aquele sorriso presunçoso e uma expressão de desafio e vitória. Sempre me provocando, mesmo quieto. Sabia que era porquê me detestava ou provavelmente devo ter o dispensando em algum momento. Só que parece que a cada ano esse desprezo por mim aumenta.

- Mais alguém? – quis saber.

Nenhum resposta, assobio, brincadeiras ou murmúrios foram soados na sala, fazendo-a nos dispensar e começar a explicar a matéria. Logo um bilhete foi jogado na minha mesa.

“Linda como uma flor e astuta como uma gata, a cada vez que te vejo mais sexy e tentadora está. Será exagero meu ou estou apaixonado?

 - Ben S.”

Praticamente todo o dia era a mesma coisa. Esse garoto me mandava bilhetes, porém nunca falava comigo ou me abordava pessoalmente. Eu o conhecia, era um nerd bonitinho, mas muito envergonhado.

 “Exagero meu caro  - Eliana D.”

Foi só o que escrevi, vendo-o praticamente abraçar o papel e coloca-la na mochila com cuidado. E do outro lado alguns me fitavam com desejo, já um me transmitia outro sentimento – provavelmente de raiva.

 É... esse é o meu último ano antes da faculdade, e ia aproveitá-lo completamente.

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