Encontro

Parecia que Digeon  não estava naquele mundo, os pensamentos e a preocupação pelas coisas que estavam por vir o deixava a cada segundo ainda mais impaciente. 

Shiva estava desesperada da mesma forma, ela via as filhas conhecendo os semi Deuses recém chegados, os filhos da morte, e em seu interior desejava estar no lugar delas.

Uma delas tinha aceitado a situação, a outra não gostou de ter um noivo, e que o casamento aconteceria dentro de uma semana, ela não aceitou a situação, bateu o pé e foi contra seu pai, ela gostava de ser livre e amava a vida.

Assim como Patrick tinha imaginado o príncipe saiu novamente escondido, ninguém conhecia seu rosto, e ele pelo menos a noite, vestido como um eunuco do rei, poderia provar um pouco de liberdade, enquanto andava pelo vilarejo do reino ia se perguntando onde estava seu pai biológico que deixaria seu filho ser entregue como sacrifício, será que os deuses não se importavam com o que viesse a acontecer com ele? 

E a resposta logo veio a sua mente... Os pais dos semi Deuses não poderiam interferir nas decisões que os pais mortais tomassem era tudo parte do acordo.  

" Então Thomas hoje faça tudo o que quiser fazer" 

Andando mais um pouco ele viu membros do clã do fogo se aproximando, os reconheceu pelas vestes vermelhas e pretas, não eram todos os membros eram apenas cinco deles, seu coração disparou, sabia que no fundo eram um clã violento, abaixou a cabeça e tentou passar sem ser notado, o que era de se esperar que funcionasse, já que ele usava roupas características dos empregados do rei. 

O mais rápido que pode se misturou a multidão, a última coisa que ele queria era chamar atenção de um daqueles homens, se enfiou dentro de uma taberna pouco movimentada, conhecida pelo vinho barato e a massa frita de ervas, que na sua opinião eram as melhores, embora as pessoas criticassem bastante o lugar. 

  Quero um prato de massa frita e vinho por favor. — Fez o pedido sem olhar para os lados e tentou não se mostrar afoito, já que estava fugindo de pessoas com vestes vermelhas. 

A atendente que tinha todos os dentes a mostra e os seios também, com o corpo apertado dentro de um espartilho que se ela respirasse seus seios voariam na cara de alguém, ele a olhou um pouco pesaroso, sabia que ela se vestia daquela forma, para chamar atenção e levar algum cliente para os fundos da taberna, onde prestaria serviços extraconjugais remunerados.

Ela não sabia quem ele era, contudo o via sempre na mesma mesa fazendo o mesmo pedido, seus olhos amendoados fitaram o cliente.

— Em alguns minutos lhe trarei o seu pedido jovem serviçal. — falou de forma doce, ela imaginou que fosse um dos eunucos, e se fosse não daria lucro algum a ela, então apenas o deixou de lado, indo buscar apenas o pedido.

“Pobre coitado, tão bonito, e nunca vai saber o que é ter o corpo de uma mulher”, pensou a atendente antes de se retirar da frente dele. 

O pedido que ele tinha feito chegou, ele começou a comer a massa tirando pequenos pedacinhos com as mãos antes de levar a boca, e em seguida bebeu uma dose generosa de vinho, sua cabeça parecia estar movimentada naquele dia, pensamentos aleatórios, e sua provável morte se aproximando de seus olhos, era como se um terrível pesadelo começasse e uma promessa de liberdade também.

Um misto de sentimentos e sensações, um misto de tudo o que ele sentia, seu irmão mais velho tomou seus pensamentos, ele nunca entendia algumas indiretas do mais velho, assim como tinha muito pouco conhecimento sobre a vida, tudo o que ele sabia provinha de livros.

Os olhos do jovem príncipe estavam distraídos em um ponto qualquer, quando ele notou que a atendente com seios chamativos se assustou, ele imediatamente olhou para a entrada da taberna, que era para onde a atendente estava olhando amedrontada, e lá estavam eles, os membros do clã do fogo.

" Hoje não é meu dia de sorte".

 Pensou quase em desespero, afinal o correto era sempre fugir da presença daqueles caras 

Olhando rapidamente para eles, pode notar que dois deles usavam um cordão dourado na cintura.

 “são eles os semi deuses, Lucas e Maikon, usam nomes do outro lado do portal do tempo, nomes dados pela mãe deles a deusa Samira, a deusa do fogo”.

Mas saber o nome não bastava, afinal ele não sabia qual deles era o mais perigoso, e se saísse correndo do lugar chamaria muita atenção, então beberia pelo menos duas canecas de vinho antes de sair, na sua cabeça o plano daria certo.

Logo sentiu uma presença atrás dele, ele ignorou a sensação e continuou a comer e a beber até sentir o peso de uma mão tocar seu ombro, ele olhou pra cima e viu um homem de cabelos compridos, olhos vermelhos e com a expressão bem séria. “Droga, chamei a atenção deles”, pensou já entrando em desespero em seu interior.

 —  Posso ajudar? — inqueriu fingindo distração.

—  Talvez, você é eunuco? — O homem inqueriu malicioso, ele conhecia o olhar, mas não sabia o que isso significava para ele.  

—  Não, mas posso encontrar um rapidamente se desejar falar com um. — Respondeu a primeira coisa que lhe veio à mente, e se isso desse certo jamais voltaria a ser visto por aqueles homens. 

—  Ahh, você é perfeito... Tem todos os dentes?  — Indagou olhando para a boca de Thomas.

—  Sim... — respondeu e se arrependeu da resposta, seria melhor falar que tinha os dentes do fundo podres. 

  Toma banho com frequência? 

  Não é tão necessário assim... —  Mentiu, pois, estava entendendo aonde o homem queria chegar. 

Logo o homem se afasta um pouco e fala algo com um dos membros do clã, Thomas estava na última caneca e como já tinha pagado se levantou e foi em direção a porta, seu objetivo era sair da taberna o mais rápido que pudesse, mas antes de passar pela porta sentiu uma mão o puxar. 

Thomas olhou um pouco assustado, seus olhos tremeram, e seu corpo parecia ter levado uma descarga elétrica o deixando estático no lugar. 

  Me chamo Lao, e meu sobrinho Lucas, gostou de você, ele tem um fraco por rapazes de olhos claros... — Deixou a frase morrer.

  Sinto informar, mas tenho que voltar ao castelo, meu senhor, me aguarda. — falou com a voz amedrontada. 

—  Mas você só vai amanhã se sobreviver, acho que seu senhor vai ter que esperar, melhor obedecer, ou vai ser pior pra você rapaz, atenda ao pedido do semi deus do fogo, isso é uma ordem. 

A mente de Thomas rodou, milhões de pensamentos, ele apenas queria curtir um pouco antes de morrer, antes de ser entregue, claro ele tinha tempo, mas ele tinha razões para se sentir daquela forma, e onde diabos estaria seu pai deus, que não o ajudaria, ele não era mais uma criancinha, contudo precisava de ajuda, ele não queria ir para o clã, sua imortalidade, tinha certas limitações, como traumas que poderiam não cicatrizar, ou magia, e ele sabia que dentro do clã existia todo tipo de criatura. 

Os olhos do semi deus, encaravam agora o homem a sua frente, o medo estampado em sua face, como se quisesse lhe insultar de maneira grotesca, ele um semi deus sendo um covarde qualquer, o suor frio lhe escorria a face. 

Sem muitas alternativas, ele acompanhou o homem, olhava para todos os lados, com sorte veria seu irmão e ele lhe ajudaria, fitava a todos, e não podia nem ao menos pedir ajuda, ninguém conhecia seu rosto, escondido em suas vestes o véu, e ele nem podia mostrar aquele pedaço de pano, ou seria morto no mesmo instante.

O caminho que eles pegaram ia para longe do vilarejo do castelo, seguia a rota da floresta, passando por trás do castelo, ele nunca tinha se arriscado a ir para aqueles lados, o medo dominava seu corpo e o fazia querer correr, por alguns momentos até pensou em se arriscar, e onde diabos poderia estar seu irmão, ele pensava que até mesmo sua mãe pudesse aparecer ali, qualquer um dos dois, as únicas pessoas que conheciam seu rosto.

O desespero estava ficando sufocante, sua respiração ofegante, o pânico se instalando e isso fez o homem que o guiava rir um pouco, talvez ele nunca tivesse visto um homem tão medroso em toda sua vida. 

" A floresta... A casa do clã do fogo, não tem como fugir daqui e pior que nem meu irmão sabe aonde estou indo..., mas e se eu revelar quem sou? daí ele me mata de vez, o que o semi deus quer comigo? Por que eu? " 

Thomas não conhecia sobre os desejos da carne, tudo o que sabia era o que lioa em livros de romance, e geralmente nesses livros não descreviam ações, ele tinha curiosidades, e sempre perguntava a respeito a seu irmão Patrick, esse porem o privava de muitas informações, dando a ele apenas o basico, uma das frases que seu irmão mais dizia era.

 “ Quando uma princesa lhe for oferecida, eu lhe direi como fazer as coisas e você vai conhecer o prazer junto de sua esposa”.

E nem mesmo saindo escondido quase todas as noites, tinha a informação que desejava, ele sabia que existia o sexo, sabia do contato físico, e sabia que as pessoas ficavam juntas, mas não sabia como fazer exatamente, uma criança no corpo de um adulto era isso que ele era no final das contas. 

Leia este capítulo gratuitamente no aplicativo >

Capítulos relacionados

Último capítulo