Capítulo VIII

Nicolas

Não me importei com o que diziam os sites de fofocas hoje, sobre o fato de eu estar acompanhando a Natasha em um evento. Eu havia terminado tudo com ela e ponto. Estava livre.

Mas ainda assim, liguei algumas vezes para ela e tentei também enviar algumas mensagens, mas ao que tudo indicava, eu havia sido bloqueado. Melhor assim.

Passei o dia todo tentado a ir até a sala do Henrique, apenas no intuito de ver a Laila. Mas estava tão cheio de coisas a resolver que preferi aguardar o final do expediente, pois pretendia ir deixa-la em casa novamente. Ou tentar, pois eu iria fazer a proposta, mas não podia ter certeza se ela iria aceitar, essa era a verdade.

Estava pensando em como faria, afinal eu não poderia simplesmente chegar e oferecer uma carona, pois caso eu estivesse errado e ela não estivesse compartilhando do mesmo interesse que eu, ela poderia simplesmente considerar com assedio, quando a Helen entrou em meu escritório, após bater.

- O senhor poderia assinar esses contratos, por gentileza? – Ela falou, colocando algumas folhas em cima da minha mesa.

- Eu vou ler e depois devolvo assinado. – Não estava com disposição alguma para analisar documentos agora.

- A Laila está aguardando lá fora já que o Henrique está precisando deles com urgência.

- Por que ela não entrou, como normalmente faz nesses casos? – Falei, me ajeitando na cadeira.

- Não entendi, também. – Helen falou, dando de ombros.

- Peça para que entre, que eu vou assinar assim que ela me explicar melhor do que se trata.

Helen fez o que eu pedi e fiquei olhando enquanto ela saia da sala e depois a Laila entrava, parecendo ainda mais retraída do que normalmente já era e não sorriu como geralmente fazia. Achei aquilo estranho.

- Boa tarde, senhor Nicolas. – Falou e passou a me explicar do que se tratavam os contratos, mas sem olhar diretamente para mim, nem tinha também aquele brilho que sempre estava em seus olhos.

- Aconteceu alguma coisa, Laila?

- Não que eu saiba, senhor. - Quase rangi os dentes com a forma com a Laila estava se comportando, tão séria e evitando me olhar. Não iria assinar os contratos até que ela olhasse para mim.

Acredito que ela percebeu que eu não estava assinando coisa alguma, pois levantou os olhos até a mim com uma expressão interrogativa no rosto.

- Algum problema, Laila? - Perguntei mais uma vez.

- O Henrique está precisando desses contratos assinados e o senhor ainda não assinou. - Ela explicou, como se estivesse falando com uma criança, olhando para a porta, parecendo desejar sair dali o mais rápido possível.

Levantei da minha cadeira e fui até onde ela estava, de pé em frente à mesa.

- Você está diferente, Laila. Parece chateada comigo. – Fui direto ao ponto.

A Laila sempre agiu como se estivesse confortável na minha presença, mesmo tímida como ela aparentava ser. As vezes parecia nervosa por estar no mesmo lugar que eu, acredito que por temer cometer algum erro no novo trabalho. Mas ela parecia estar com raiva de mim hoje e eu queria saber por quê.

- Não estou. Gostaria apenas que o senhor assinasse os documentos, pois o Henrique tem pressa. – Ela falou, dessa vez olhando em meus olhos.

Percebi que ela realmente não iria ceder e admirei a sua determinação, apesar de não entender por que ela estava se portando daquela maneira. Não sabia o que havia feito para que ela me tratasse tão friamente, mas iria descobrir.

Voltei até a minha cadeira e depois de assinar a todos os papéis que ela havia me indicado, a liberei para que voltasse ao seu local de trabalho.

Esperei apenas que o relógio marcasse o horário do final do expediente para ir até a sala do Henrique e garantir que a Laila saísse na hora correta e comigo, de preferência, mas ao chegar lá, ela já havia saído acompanhada do Henrique, conforme me disse a Barbara, sua companheira de trabalho.

- Eu posso ajudá-lo, Nicolas? – A Barbara se prontificou.

- Não, mas obrigada. – Não expliquei por qual motivo eu queria falar com a Laila e ela pareceu ficar intrigada com meus motivos para tal.

Já estava saindo da recepção aonde ficava a mesa das secretarias do meu irmão, quando ouço a Barbara falar, me fazendo voltar imediatamente.

- Fiquei muito feliz em saber que você e a Natasha haviam ficado noivos. Formam um belo casal.

Senti o sangue ferver, relembrando a reportagem que haviam mencionado tal disparate.

- Não tenho noiva alguma, nem mesmo namorada. – Falei para a Barbara aquilo que eu gostaria de falar para todo o mundo.

Vi pelo canto do olho que alguém havia adentrado a sala, e fiquei satisfeito ao ver que era a Laila. A olhei diretamente e seus olhos brilhavam novamente, me deixando satisfeito.

- Mas a reportagem dizia que... – Era a Laila que falava.

- Não se deve acreditar em tudo o que você lê na internet.  – A interrompi.

- Mas a Natasha me confirmou que vocês haviam noivado ontem. - A Barbara insistiu.

- Vocês são amigas? – Perguntei totalmente surpreso. Eu não tinha a mínima ideia sobre tal fato.

- A Natasha é minha prima. – Ela esclareceu e aquilo me pegou de surpresa. – Foi o tio Rômulo que me indicou para estagiar aqui. Ele é amigo do senhor Gustavo.

Eu não sabia realmente nada sobre a Natasha, mesmo após namorarmos por mais de três meses. Mas como poderia, se ela nunca tinha tempo para mim? Sempre que a gente se encontrava, estávamos rodeados de pessoas, em eventos e quando íamos embora, nossa interação se resumia a sexo e nenhuma conversa, apesar das minhas tentativas em conversar com ela. Meu pai poderia ter comentado algo desse tipo, mas como sempre estávamos contratando estagiários, eu provavelmente não prestei atenção ou posso até ter me esquecido desse detalhe.

- Entendi. – Falei apenas por educação. Não tinha interesse algum em nada mais que dissesse respeito a Natasha. Deixei claro então. – Mas acho que houve um engano de alguma das partes. Eu e a sua prima não temos mais relação alguma um com o outro.

Algo que vi na expressão da Laila, no momento em que falei essas palavras para a Barbara, me levou a acreditar ainda mais que eu era sim, correspondido nos meus sentimentos por ela, mas eu precisava ter certeza. Ela me olhava com uma pergunta no olhar, como se não pudesse acreditar no que havia acabado de ouvir.

- Eu só vim pegar o meu celular, que esqueci em cima da minha mesa. – Ela falou, se recompondo. – Tenham um bom fim de semana.

Enquanto ela ia pegar o aparelho, Barbara fez menção de falar mais alguma coisa, mas eu apenas a parei com um gesto.

- Até segunda-feira, Barbara. – Falei saindo atrás da Laila, que havia pegado o telefone e saído rapidamente da sala.

A encontrei aguardando pelo elevador, parecendo falar consigo mesma.

- Estou atrapalhando sua conversa particular? – Falei em tom de brincadeira, ao me aproximar de onde estava.

Ela pareceu se assustar com a minha chegada, pois levou a mão ao peito e arregalou os seus lindos olhos verdes.

Antes que ela pudesse falar alguma coisa, o elevador abriu suas portas e nós entramos juntos. Apertei o botão do subsolo e deixei minha mão sobre o painel, a impedindo de escolher o botão do térreo, como acredito que faria quando ela ia tocar no painel também.

- Eu te levo em casa. – Ofereci mais uma vez, assim como havia feito na noite anterior.

- Por que? – Ela perguntou, sendo bem direta dessa vez.

- Por que eu quero. – A encarei de frente também. – Posso? - Perguntei para confirmar se era aquilo mesmo que ela queria ou se eu estava impondo a minha presença.

Ela pareceu fraquejar diante da minha atitude, sua timidez voltando com força total, pois sua pele morena ficou visivelmente vermelha e ela baixou os olhos, respondendo de maneira contida.

– Não me sinto bem em recusar uma carona em plena sexta feira.

O sorriso que exibiu ao falar isso, me deixou em êxtase, apesar de quase não conseguir ouvir direito suas palavras, tão baixo ela falou, mas entendi assim mesmo e fiquei satisfeito com o seu consentimento.

O elevador abriu as portas e ela saiu primeiro, indo em direção ao local onde estava o meu carro. Gostei da sensação de estarmos fazendo aquele trajeto juntos pelo segundo dia consecutivo, pois eu ficaria mais do que feliz em estabelecer aquela rotina com ela, de sair juntos do trabalho todos os dias. Digo sair, pois eu não pretendia ir deixá-la em sua casa todos os dias, pois haveriam aqueles em que ela iria para a minha casa.

Já estávamos no trânsito, quando pude olhar atentamente para ela, ao paramos em um sinal vermelho. Ela estava quieta, sem falar nada, desde que entramos no veículo. Ao vê-la assim tão encabulada, senti vontade de parar em um acostamento e beijar aqueles lábios grossos e bem desenhados, mas me contive. Não era o momento de partir para cima com tudo. Eu ainda não tinha certeza se ela realmente correspondia aos meus sentimentos, mas eu iria aproveitar esse fim de semana para sairmos juntos e caso ela aceitasse, eu poderia entender que aquele era o sinal verde para seguir em frente com tudo que eu tinha em mente para nós dois.

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