09

#Gabriela narrando

Não demorou muito para que o Marcos entrasse pela porta, ele deixou uma sacola com roupa, eu me arrumo e logo ele volta com dois seguranças e me leva para um carro, a onde não conseguia enxergar nada no lado de fora, eu abaixo a minha cabeça e começo a chorar.

Era muito difícil descrever oque eu sentia nesse momento, era uma dor tão grande misturado com muito medo, era isso que resumia os meus dias e agora sem saber oque seria da minha vida eu tinha mais medo ainda. Ainda por cima Heitor tirou à única coisa que eu tinha para lembrar da Alana, que me dava força para continuar de cabeça erguida porque muitas vezes eu tinha vontade de desistir de tudo e acabar com todo esse sofrimento.

-Fica sentada aí é nao sai  - Marcos disse assim que me joga em uma poltrona. 

Ele tinha me tirado da aquele quarto e me levado para um apartamento ou para um hotel, não consegui identificar já que estava tão nervosa .

Fiquei ali sentada por algum tempo esperando que alguém entrasse pela porta mas ninguém entrou, olhei para o relógio que marcava 4h da manhã, e já fazia 3 dias ou 4 que eu não comia nada, minha barriga estava roncando, olho para mesa que tinha algumas frutas, mas e o medo que alguém ou até ele mesmo entrasse por essa porta me fez não pegar nenhuma delas para comer.

Eu estava tão cansada mas tão  cansada e aos poucos o sono foi me pegando, e eu acabei adormecendo no sofá mesmo.

(..)

Abro os olhos e reparo que eu estava deitada na cama e que eu estava coberta , sento na cama e reparo que eu estava sendo vigiada, coloco a mão na cabeça e tento identificar a pessoa até que vejo que era Heitor.

- Boa tarde  - Escuto a sua voz , estava com uma dor de cabeça horrível e a minha cabeça girava  - Você está se sentindo bem? - tento assentir com a cabeça mas minha cabeça doía muito, eu estava vendo tudo dobrado e tudo isso era fome.

- Será que eu posso comer alguma coisa ? - Eu pergunto para ele em quase um sussurro e com medo da sua resposta.

- Tem comida na mesa - Ele diz apontando para a mesa e eu encaro a mesa vendo que tinha bastante comida por  lá.

- Obrigada - Eu falo engolindo seco, mas continuo na cama, esperando que ele falasse se eu poderia ir lá comer ou não.

- Você não está com fome ? - Ele fala e eu olho para ele - Pode ir comer - ele diz e me encara indo até a mesa , sentando e comendo  - Fazia quantos dias que você não comia? - Eu o encaro sem reação . 

-  Quatro dias - Eu falo para ele tomando um copo de água já que também estava morrendo de sede.

- Suas roupas estão em uma mala no banheiro - Ele diz se levantando  -Depois que você comer, toma um banho que iremos pegar estrada.

-Ta bom - Eu falo baixo para ele.

Ele continuou pelo quarto mas não falou mais nada, ele  ficou mechendo em seu notebook, mas sempre com os olhares encima de mim, e eu estava morrendo de medo, na verdade eu estava apavorada.

(..)

- Me de suas mãos  - Marcos diz colocando algemas nas minhas mãos - Agora entra - Ele diz abrindo a porta do carro e eu entro , ele colocou um pano na minha boca - Se comporta menina, se não te coloco para dormir. - Eu apenas assinto com a cabeça.

Logo Heitor e a tal mulher entraram no carro também, mas todos em silêncio, e eles simplesmente ignoraram a minha presença ali o caminho inteiro.

O caminho todo eu fui desviando o meu olhar para a janela, fazia horas já dentro desse carro e sei lá para onde estamos indo, eles conversavam algumas coisas aleatórias mas que fazia questão de nem escutar.

- O que aconteceu? - Heitor pergunta assim que o carro se treme inteiro.

- Furou o pneu  - O motorista fala - Vão ter que descer todos para poder trocar ele.

- Essas ruas também  - Leandra fala indignada.

- Não podemos descer com ela desse jeito - Marcos fala para Heitor que me encara.

- Pode soltar ela - Heitor diz - Tenho certeza que ela não vai criar problemas - Ele diz me encarando - Não é mesmo Gabi? - Eu o encaro mas não faço sinal nenhum.

Marcos tira a mordaça da minha boca e abre as algemas, e aí que sinto uma dor forte nos meus pulsos e também reparo que eles estão marcado já que elas estavam bem apertadas.

- Fica sentada aí  - Marcos fala e eu sento em um banco a onde deveria ser uma parada de ônibus, mas isso aqui tudo era mato , não sei se deveria ter gente que morava aqui por perto ou não, estava muito quente , dentro do carro não dava para reparar por causa do ar condicionado.

- Você quer água? - Leandra diz sentando do meu lado e me estendendo uma garrafa de água,  olho para a garrafa e para ela desconfiada - Ela está lacrada não tem como ninguém ter colocado nada dentro dela. - Ela estende a garrafa em minha direção.

- Obrigada - Digo pegando a garrafa e tomando um pouco de água já que eu estava morrendo de sede.

- Você quer um conselho?  - Ela diz me olhando e eu apenas encaro ela em silêncio  - Não mede forças com ele não, porque se você fizer isso, você vai ser dar muito mal, do mesmo jeito  que ele te comprou, ele te joga de volta no mesmo buraco que você saiu.

Eu a encaro em silêncio e percebo que ele encarava nós duas, tomo mais um gole de água.

- Pneu trocado - O motorista diz - Podemos seguir viagem.

- Me dê as mãos - Marcos diz com as algemas na mão.

- Deixa ela sem - Leandra diz e Heitor encara ela - Heitor elas estão apertadas e ela não vai tentar nada. - Ela olha para ele.

- Se ela tentar algo, a responsabilidade cai sobre você  - Ele diz sério e Marcos me leva para dentro do carro.

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