Encontrando-me em você - Livro 2
Encontrando-me em você - Livro 2
Por: N. O. Mendes
Prefácio

Clara

Sinto todo o meu corpo doer, e não sei há quanto tempo estou nessa posição. Minhas lágrimas parecem ter secado, mas ainda tenho vontade de chorar. Experimento essa dor tão grande como se o meu corpo tivesse diminuindo e por algum motivo ela tenha saído para brincar comigo.

Tudo parece triste, tudo faz eu me sentir desolada. Abro os olhos e vejo que Atena está comigo na sala, ela ficou deitada no tapete imagino que esteja cuidando de mim. Mexo o meu braço lentamente com intenção de tirar o cabelo do meu rosto, penso em desistir quando a dor persiste, mas me forço para se levantar. Sento-me no sofá e fico olhando para a televisão, mesmo estando desligada parece que se sente mais feliz do que eu.

A dor dentro de mim está tão grande que sinto como se não pudesse respirar e quando percebo começo a respirar fundo e a chorar novamente essa ação mostra a mim mesma que minhas lágrimas não acabaram.

Dobro os meus joelhos e os abraço como se fossem os únicos que me compreendessem. Tudo se tornou escuridão, mesmo com os olhos abertos não consigo ver a luz, não consigo senti-la, não sei como fazer a dor passar e tudo fica mais difícil quando tento conviver com ela.

Não acredito que deixei o Bernardo ir embora, não acredito que disse não. Minha insegurança é tão grande que eu mesma acabo com chance que encontrei para ser feliz, eu o amo de uma maneira que pensei que nunca sentiria, quando penso nele a dor aumenta, mas não consigo evitar, sua imagem não sai de minha cabeça e sinto tanto medo dele seguir em frente e ser feliz com outra mulher.

A imagem da Bianca também me persegue e sempre me lembro deles juntos na biblioteca. Parece que só tenho motivos para achar que minha decisão é certa, mas se isso é verdade porque está doendo tanto? Se eu fiz o que era certo, o meu coração não deveria estar feliz? Acho que não tenho mais coração, eu mesma o destruí e não sei como concertá-lo.

Respiro fundo e levanto vendo como Atena ficou atenta ao ver que finalmente acordei. Vou até a cozinha e vejo o bolo que fiz, penso que ele é o melhor remédio que terei neste momento, vou até a geladeira e a abro pensando em tomar um suco, mas assim que vejo o vinho mudo de ideia e o pego, abro a garrafa e pego a taça e o prato, corto um pedaço do bolo e coloco nele, sentando-me a mesa como um pedaço e bebo todo o vinho.

Por um momento penso que estou bem, penso que será fácil superar isso, afinal sou adulta, mas esse pensamento é tão passageiro como o gosto do bolo, de repente sinto o meu estômago se revirar e sei que é melhor sair de onde estou, corro para o banheiro e coloco para fora tudo o que comi e bebi, sentindo as pernas bambas sento no chão esperando que mais alguma coisa saia. Após um tempo percebo que tudo que deveria sair já acabou e dou descarga, tiro a roupa e vou tomar banho.

Fico debaixo do chuveiro por mais tempo do que desejava, sentindo que estou bem mais lenta do que sou, não sei se é por causa da bebida ou da tristeza, mas tudo parece mais escuro, mais devagar.

Assim que termino o banho coloco o meu pijama preto e vou para o quarto, abro a janela e me deito na cama. Permito-me ficar um tempo quieta olhando para o teto, tentando compreender como vou suportar ver o Bernardo e não poder tocá-lo, não sei se irá me tratar diferente ou se continuará da mesma forma, sinto que o perdi quando disse não e isso doí muito.

Escuto o meu telefone tocar e me esforço para ignorá-lo, mas a pessoa é insistente e assim que o pego vejo que é a Cassandra, atendo rapidamente desejando que não saiba de nada.

— Alô. - Atendo tentando esconder a tristeza que está em minha voz.

— Clara você está bem? - Indaga Cassandra fazendo com que eu sinta que nunca conseguirei mentir para ela.

— Estou tentando. - Digo e um soluço escapa mesmo eu tentando impedi-lo, mas me controlo.

— O que aconteceu? - Pergunta e sinto-a preocupada e isso me faz disfarçar ainda mais, não quero incomodá-la com a minha vida e os meus problemas.

— Não é nada importante, você está bem? - Questiono e escuto sua respiração ao desaprovar minha atitude, mas não me importo.

— Estou bem, muito bem na verdade. - Escuto sua risada. — Mas liguei para te contar algo que tenho certeza que não te deixará feliz. - Ela fez uma pausa e eu imaginei o pior. — Só não quero que volte a trabalhar despreparada. – Finaliza fazendo com que muitas coisas viessem a minha mente, mas nenhuma delas era boa.

— Ca você está me deixando nervosa. - Falo enquanto sento-me na cama. O que eu realmente poderia esperar? Não sei o que poderia ser pior do que tudo o que já estou sentindo, o nervosismo cresce dentro de mim conforme a dor diminui, pois por um momento consegui esquecer o que estava me atormentando, me matando por dentro. Não sei o que poderia acontecer na empresa que faça ter que me preparar para o trabalho, mas da forma que ela fala parece um pesadelo. Aguardo ansiosamente para que ela quebre o silêncio.

— Desculpe, não quero que fique nervosa, mas você está sentada? - Indaga fazendo com que o meu coração dispare, respiro fundo e respondo.

— Estou sentada, mas, por favor, pare com o suspense. - Imploro, pois realmente esperar não está sendo uma boa ideia para mim.

— Ok. Bom, quando cheguei ao trabalho hoje as coisas pareciam diferentes. - Inicia e sei que me contará uma história e isso só me deixa mais nervosa, mas me prendi em cada palavra. — O Sr. Fernandes estava lá como de costume, porém o Sr. Azevedo foi trabalhar depois de dias ausente. Ele passou por mim e me cumprimentou, mas eu senti que ele estava triste, não sei dizer como, mas seu olhar estava diferente. - Conta, quando ela fala dele sinto o meu coração disparar ainda mais, quero tanto saber como está, desejo tanto que se sinta bem, ignoro meu pensamento e volto a prestar atenção nas palavras de Cassandra. — Depois de alguns minutos que ele havia chegado o elevador para de novo no andar e isso me deixa curiosa, pois é um andar reservado, mas quando ele para vejo a Bianca descer, ela andou até mim, mas fingiu que não me viu e foi direto para a sala do Sr. Fernandes, mas Clara o que eu mais estranhei foi o crachá, eu tive a impressão que ela vai trabalhar lá também. - Suas últimas palavras soam como um pesadelo que eu acordo sentindo dor em cada parte do meu corpo. Eu pensei que nada poderia piorar, mas isso é algo que torna tudo mais difícil, não sei o que fazer e por um momento esqueço que a Cassandra ainda está na linha. — Clara você está bem? - Indaga preocupada.

— Cassandra tem certeza que havia um crachá? - Pergunto tentando acreditar que ela se enganou e tudo não passa de um terrível pesadelo.

— Sim, infelizmente. Clara eu pude ver perfeitamente estou tão chocada como você. - Diz tentando parecer calma.

— Tudo bem, eu só não sei como fazer isso. - Confesso, mas sinto que a minha voz não passa de um sussurro.

— Nós podemos fazer isso juntas. - Murmura e eu me sinto sortuda por tê-la ao meu lado.

— Obrigada, vou precisar de você. - Exclamo e ouço-a sorrir me esforço para fazer o mesmo.

— Quando você volta? - Questiona e percebo que o seu tom de voz mudou, parece mais animada.

— Daqui a três dias. - Informo querendo sumir e não voltar para lá nunca mais.

— Vou contar os dias. - Eu sorrio e me despeço, pois não sei por quanto tempo aguentarei continuar no telefone.

Quando desligo sinto novas lágrimas voltarem aos meus olhos, mas sei que não posso libertá-las, chegou o momento de parar de chorar, pois agora terei que lidar com a falta do Bernardo e com a chegada de Bianca, neste momento ela está tão perto da minha vida que imagino por quanto tempo conseguirei suporta tudo isso, sei que agora terei que ser forte independente do que sinto ou de como me sinto não poderei deixar que ninguém perceba.

Levanto-me da cama e vou até a janela vendo finalmente a luz voltar aos meus olhos.

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