4 - Muros

~Pov. Gabriel ~

Eu gostava da academia mas nada chegava perto da sensação de estar rodeando os muros. Em breve eu seria um comandante do exército assim como meu pai e esse será meu lar, minha missão.

As boas notas me dão um passe livre para fazer rondas quando eu quiser, Luiz é meu parceiro. Treinamos juntos desde que chegamos na academia para ser uma ótima dupla na defesa da cidade.

Estamos ha algum tempo caminhando por cima dos muros e observando a gigantesca barreira de Oncep, a cidade dos Telectos. A noite aquilo brilha com a luz da lua e da própria cidade, quando eu era pequeno imaginava que eles tinham sorte mas agora sei que não. Eles são pessoas crueis que tomam coisas que não lhes pertencem para permanecer em cima, que matam pessoas sem se preocupar com nada, assassinos crueis e sem alma.

Nunca tinha visto um na vida, alguns soldados mais antigos dizem que eles parecem monstros e apenas com um olhar pode te matar sem que você ao menos perceba. Eles são seres dotados de inteligência e habilidades além do nosso comum e nós somos apenas ratos debaixo dos seus pés. Eramos, até que Rebelion foi edificada e se tornou uma cidade forte também.

- Gabriel? - Luiz me chamou encarando um ponto distante em meio ar árvores de carvão. Forcei meu olhar para o mesmo local. - Eles estão aqui novamente, xeretando omde não devem.

- Você tem lanternas embutidas nos olhos? Eu não vejo nada. - resmunguei olhando para todos os lados sem ver nada de estranho.

- Eles são rápidos, pequenos e muito inteligentes. - ele se abaixou e apontou para a esquerda das árvores mais finas e retorcidas. - Vão passar por ali, preste atenção.

- Achei que eles fossem monstros... - observei o ponto que ele indicou e uma sombra passou por lá, os sem número acham que são as almas das pessoas que tem seu corpo queimado fora de Oncep.

- Não precisa ser alto para ser um monstro. - riu de se mesmo. Já em pé ficamos olhando os vultos que não se aproximavam, era como se estivessem nos observando.

- Que tal dar uma de louco e expulsar esses idiotas daqui? - ele riu negando com a cabeça, dei de ombros. A eletricidade saiu do meu corpo como uma luz rocha dançante fazendo as veias do meu corpo brilharem na mesma coloração, esperei o momento certo do deslocamento e lancei um raio que atingiu um deles. Os soldados ao notarem a movimentação abriram fogo contra os seres que recuaram sem perda de tempo, o que eu tinha atingido provavelmente estava morto. - Nunca vou esquecer o que fizeram com ela...

- Já devia ter superado a Lia, não acha? - ele rebateu, eu devia? Não, superar quer dizer esquecer e eu nunca vou esquecer aquela garota dos cabelos negros. Nunca vou esquecer que ela era doce, simples, linda e me amava. Nunca vou esquecer que eu me recusei a ir com ela procurar seu irmão. Não esquecerei a imagem do corpo dos dois nos portões dos muros, dos olhos antes negros estavam azuis gelo rodeado por trevas, tão vazios quanto eu estava no momento. - Você não tinha como saber que a Thalia iria sozinha procurar por ele...

- Nada diminui a minha culpa, ela era apenas uma sem numero e eu rejeitei ajuda-la e agora... agora ela se foi. - passo a mão na nuca onde esta tatuado o numero 1, o numero dos eletrons, dominadores da eletricidade.

- Nada do que eu diga vai fazer você mudar de ideia, então esquece e só... bom, só trabalha. - deu de ombros seguindo em frente, eu fiquei ali no meu posto olhando para frente e me lembrando dela em todas as formas, eu a amava de um jeito assustador e agora tudo que restava eram apenas saudades de um tempo que foi embora rápido demais.

[···]

O sol já começava a surgir, eu e Luiz nos despedimos dos soldados e voltamos a passos largos em direção ao nosso dormitório na academia, estavamos liberados das aulas de hoje. Depois de um banho gelado a cama me parecia mega desconfortável e por isso recusei dormir, peguei os livros e a minha bolsa indo direto para a aula de economia. As três turmas estudavam juntas essa matéria porque a professora era muito ocupada com assuntos da regência.

Os alunos estavam chegando e a professora anotando algumas coisas na lousa, segui para o fundo onde costumava ficar. Não demorou para que a sala logo esticesse lotada, Ruan e Antony chegaram atrasados como sempre sendo castigados na frente de todos. Ruan tomou seu lugar ao lado de Lorena e Antony semtou atrás de mim, do meu lado estava Leticia.

A aula era insuportavelmente chata, eu gostava de matemática mas economia não somava em nada para ser um bom soldado. Metade da aula a professora só fazia reclamar do barulho e na outra metade ninguém escutava de fato o que ela falava.

- Em comparação as outras cidades, Rebelion mantem uma economia agradável para o seu número de habitantes... - não era verdade, a economia de Rebelion girava em torno dos afortunados elementares da alta. Os sem numeros vivam quase em completa miséria, isso começou a mudar depois que o diretor Tavarres teve a ideia de formar o grupo Elementar dos cinco, são oficialmente chamados de Transportadores. Eles interceptam mercadorias entre as cidades de Oncep e trazem para cá, esse grupo é totalmente desmembrado da regência e seguem suas próprias regras. Diferente das outras profissões você não pede para entrar, o diretor tem que te chamar e para isso você tem que ser especial de alguma forma.

O estrondoso sinal toca e antes que consiga peocessar meus movimentos estou fora da sala esperando o pessoal para a aula de resistência elementar, é simplesmente um maluco querendo que a gente aprenda a segurar os elementos por mais tempo possível.

- Sua cara está péssima. - Leticia belisca minha bochecha de um jeito exagerado e eu reclamo.

- Esta tão visivel assim? - massageio o local apertado, ele assenti. Não demora para que Ruan, Antony e Lorena se juntem a nós.

- Te derrubaram da cama? - Antony soca meu ombro, não tinha notado que uma noite inteira sem dormir iria me deixar tão debilitado.

- Não enche. Vamos para a sala, o professor odeia atrasos. - murmurei me sentindo dolorido. Eu estava andando ao lado deles escutando juras de amor e estalos de beijos, revirei os olhos encarando a cena ao meu lado. Tony e Le riam dos dois bombinhos a ponto de chocarem um no outro, apressei o passo ficando na frente do grupo, achei estar olhando atentamente para a frente mas acabei me chocando com algo. Olhei para baixo e me deparei com uma garota no chão massageando o rosto, Ruan e Lorena se choram com as minhas costas e quase caio por cima da pequena menina.

- Você não tem olhos?! - a garota reclamou, estendi a mão para ela que não demorou para aceitar se pondo em pé. Estava vestida com um moletom preto, o capuz cobria parte do seu rosto deixando apenas os lábios rosados e pequenos a mostra, algumas mechas de cabelo castanho brincavam para fora do capuz, a calça era surrada e altura denunciava que não tinha mais do que doze anos de idade, a estrutura física era de uma sem numero e o fato de não estar de uniforme ajudou.

- Desculpe por isso, eu realmente não vi você. - seus olhos batiam bem abaixo do meu tórax, mesmo assim tenho certeza que eu estava distraído demais.

- Que seja. - ela abriu a porta da sala e entrou, Leticia a seguiu rindo da minha cara de idiota, Antony a seguiu tentando imitar Ruan e Lorena que entraram logo atrás. Respirei fundo tomando coragem para uma tortura.

A sala estava cheia, Luiz acenou para mim e eu me aproximei do fundo da sala. Seu rosto não estava menos abatido do que o meu então imaginei que ele também não conseguiu dormir. Encostada próximo a porta estava a garota em quem eu esbarrei seus braços estavam cruzados como se estivesse aqui contra sua vontade, provavelmente era uma parente do professor ou algo do tipo.

- Vamos começar a brincadeira! - era a voz do maluco homicida que entrava na sala, ou o professor bigodudo. Seu sorriso rasgava o rosto ao meio, ele adorava ver pessoas desmaiando de esgotamento. Sádico. 

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