Capítulo 7

Acordo com o som do maldito despertador do celular. Acho que essa musiquinha é o som que mais odeio na vida. Me espreguiço e sorrio vendo minha irmã dormir tranquilamente do outro lado da cama. Como ela não acorda com esse barulho do despertador? Essa garotinha dorme igual sei lá o que.

Levanto, vou ao banheiro, coloco uma música no meu celular e escovo os dentes, lavo meu rosto e faço minhas higienes matinais ao som de Beyonce.

Não entendo pessoas que não toma café da manhã, porque ainda no banheiro minha barriga começa a roncar. Desço as escadas e vou até a cozinha preparar nossa comida. Pego os ingredientes para fazer torradas e começo. Enquanto isso penso sobre coisas aleatórias.

— Bom dia, flor do dia — tenho um susto com meu irmão atrapalhando meus devaneios enquanto eu preparava meu café da manhã.

— Que susto, Eric, isso não se faz.

— Nossa, estava pensando em que? — Ele pregunta.

— Sei lá, no Paul Wesley, talvez — digo e ele franze o cenho. — E a Sara?

— Ela foi pra casa bem tarde já — se senta na minha frente e fica me observando com cara de preguiça.

— Vou chamar a Emily — saio da cozinha em direção ao meu quarto onde minha irmã está dormindo.

Vou chamar minha irmã, tomamos café da manhã todos juntos e damos risadas das coisas que a Emily fala. Pois é, o dia está perfeitamente bem, nada para tirar meu foco, até porque eu vou ter uma prova hoje, então isso é ótimo.

Quando termino de arrumar minha irmã pra escola vou me arrumar para o trabalho e organizar minhas coisas para a faculdade. Visto uma calça jeans mais folgada e rasgada na parte do joelho, ela tem uma lavagem bem clara. Coloco uma regata preta lisa e pra deixar o look mais completo, ponho uma jaqueta, jeans também, rasgada em alguns pontos e com vários detalhes. Amo sobreposições. Calço um tênis que combina com a roupa e estou pronta.

Depois de algum tempo eu já estou em meu trabalho, organizo vitrines, ajudo a Lis, dona da loja que trabalho, atendendo algumas pessoas e as vezes, quando eu tenho uma pausa aproveito para dar uma estudada para prova, mas parece estar bem tranquilo.

Já estou no final do expediente preparando um vestido para uma debutante. A loja que trabalho é dividida em dois setores, um de venda que tem desde roupas simples, básicas, masculinas e femininas, até roupas chiques, de festa, até de marcas famosas, sendo as principais a marca da Lis. E a parte de aluguel, onde alugamos roupas de debutante, casamento, madrinhas, entre outras coisas.

— Está perfeito, Elena — Lis chega enquanto eu passo o vestido.

— Obrigada, Lis — fico grata, pois ela sempre elogia meu trabalho.

— Ótimo trabalho, pode se arrumar pra ir para aula, Elena — fala enquanto analisa o vestido. — Mais tarde a menina que alugou vem busca-lo, vou ligar pra ela pra dizer que já está pronto.

— Tudo bem, já vou indo — dou tchau e ela manda um beijinho.

— Tchau, boa aula.

Quem vê a Lis na rua provavelmente já percebe que ela é uma ótima estilista, que trabalha com roupas, ou coisa assim. Não só por ser bem reconhecida, mas ela tem realmente muita cara daquelas estilistas de Paris. É bonita, tem cabelos lisos castanhos bem abaixo do ombro, é magra e tem olhos escuros. Começou muito cedo a trabalhar com isso, então o fato de ter uns vinte e poucos anos não impede seu reconhecimento.

Chegamos no campus e aparentemente tudo normal, vou acompanhando a Sophia falando sobre qualquer coisa. Pouco tempo depois a Nat e a Charlotte aparecem do nosso lado, então ficamos conversando nós quatro e andando sem rumo pelos corredores.

— Não acredito que conversaram e você não estampou sua mão na cara dele nenhuma vez — a Sophia comenta após eu ter falado da conversa meio estranha com o Thomas.

— Por que vocês acham que eu sou assim? Não saio por aí batendo no povo não, gente — digo rindo e me defendendo da Sophia.

— Teve um dia que ela chutou um carinha em uma festa que a gente estava, porque ele assoviou pra gente com segundas intenções — Sophia conta e começo a rir lembrando desse dia. — Ela chegou na frente dele e meteu um chute, acho que castrou o homem — as meninas estão quase bolando de rir.

— Foi nojento — falo entre risadas. — Mas sobre o Thomas, eu fui legal com ele, levanto em consideração o papinho de playboy no dia da festa — lembro do metidinho enchendo meu saco.

— Você falou com ele na festa? — Nat pergunta.

— Eu não falei nada, só fui na mesa pegar uma bebida e ele começou a me olhar como se eu fosse um Husky siberiano — elas riem mais ainda com minha comparação. — Aí eu perguntei o que tinha de errado comigo, sinceramente era o que tinha certo, porque eu estava uma gata naquele dia.

— Estava mesmo, ele só não aguentou a pressão de ficar ao seu lado sem falar nada — Charlotte fala e elas parecem concordar.

— Eu dei umas respostas nele e fui no bar pegar alguma coisa pra mim, eu até conheci um barman gato lá — lembro do Dylan e elas começam a gritar.

— Por isso você demorou — Charlotte completa e todas fazem que sim com a cabeça.

— Gente, vocês são mais animadas que eu — digo rindo.

Continuamos conversando sobre outras coisas que não envolvem minha vida amorosa dessa vez, a da Sophia pra variar um pouquinho.

— Mas e o Justin, em Sophia? — Faço uma cara maliciosa pra ela que bate de leve no meu braço.

— O Justin... ainda não sei se ele é um amor de verão ou se vale a pena — ela fala olhando o celular, mas guarda no bolso e volta atenção pra gente. — Sei lá, conhecemos ele há um bom tempo — se refere a eu e ela que estudamos uns anos com o Justin — mas não me sinto segura, também não sei se quero.

— Aproveita, você não precisa ter certeza disso agora, se tá bom, não tem porque ficar pirando nisso, só vive o que tiver vontade — Nat diz.

— Valha, ela é toda conselheira — Charlotte brinca e rimos.

Um tempo depois os meninos se juntam a gente, chegamos mais cedo hoje no campus, então ficamos conversando por um bom tempo. Quando chegou a hora nos dividimos e fomos pra nossas salas.

Fiz a minha prova que foi nos dois últimos horários, ainda bem que consegui fazer todas as questões, não tive muito tempo de estudar, trabalhar de manhã e fazer faculdade em outro horário não é algo tão simples assim. Tenho a parte da noite pra estudar, mas não é sempre a disposição aparece. Espero conseguir me organizar mais.

POV Thomas

Sabe quando aparecem certas pessoas aleatórias na vida que não sabemos como, mas essas pessoas fazem alguma diferença? Não faço ideia porque isso acontece, mas nunca fiquei tanto tempo pensando em alguém, sem tirar uma pessoa da mente como a Elena. Nunca conheci alguém tão forte, pra ela ter passado por tantas coisas ela é tão... tão bem. Não sei explicar, mas não conseguiria superar algo desse tipo.

Aqui estou eu, a noite rolando na cama de um lado pro outro sem conseguir parar de pensar na garota de cabelos longos e loiros que adora desenhar. A garota que confiou em mim pra falar da vida dela, inclusive as partes mais doloridas. Que ódio de mim, eu sou um babaca, fui um grosso sem necessidade e ainda continuei com essa minha pose ridícula na festa quando a vi. Ela teria toda razão se nunca mais quisesse olhar nos meus olhos.

Não sei porque, eu nunca me importo com o que as pessoas pensam sobre mim, mas eu não queria que a Elena ficasse com minha imagem aquele jeito. Talvez por eu ser famoso as pessoas gostem de mim pelo que tenho e pela fama e ela se mostrou o contrário disso, nem me conhecia e não ligou a mínima pra o que tenho, apenas pelo que fiz. Feriu meu ego. Será que é por isso que não consigo parar de pensar nela?

— Thomas, para com isso, você não precisa disso, você é famoso, lindo, tem várias mulheres atrás de você, para de pensar na única que não liga a mínima pra sua carreira, sua fama, nada — começo a dizer pra mim mesmo, assim que penso em mandar uma mensagem pra ela. Ah, eu pedi o número dela pro Jason, sou um trouxa mesmo, o idiota ainda ficou rindo de mim. — Dane-se — falo procurando seu contato sem me importar com o horário, normal mandar mensagem pra alguém às duas da manhã.

POV Elena

Eu estou totalmente sem sono, tenho tantas coisas na minha cabeça que nem consigo dormir. O dia hoje foi ótimo e acabei esquecendo momentaneamente dos meus problemas, mas quando estou sozinha, à noite, não consigo simplesmente ignora-los. Odeio ficar pensando assim que sou cheia de problemas, até porque todo mundo passa por coisas ruins e sei que a minha situação não é a pior, acabo me culpando por reclamar tanto, porém às vezes não consigo evitar.

 Minha irmã falou de novo sobre nossos pais hoje, eu já disse que odeio quando ela toca nesse assunto? Por que agora ela fala disso todos os dias? Estou exausta, mesmo não conseguindo dormir, será que vou dar conta de trabalhar e estudar assim todos os dias até acabar a faculdade? Tenho que conseguir, é uma forma de futuramente conseguir melhorar a vida da Emily, mas não deixa de ser difícil e extremamente cansativo.

Eu estou cochilando, quase conseguindo dormir, quando meu celular começa a vibrar compulsivamente, que droga, quem é esse doido me mandando mensagem numa hora dessas. Espero que não seja algo sério. O brilho do celular faz meus olhos quase fecharem, mas com esforço consigo ver a mensagem. Thomas?

“Ei”

“Ei”

“Ei”

“Precisamos conversar” — desde quando o Thomas acha que tem essa intimidade todinha pra me mandar uma mensagem dessas? E outra, como ele tem meu número?

“Eu só posso ter jogado chiclete na cruz, tá doido? Me mandando uma ruma de mensagem uma hora dessas? Achei que alguém estava passando mal” — reclamo e envio uma ruma de carinhas com raiva.

“Desculpa, não era a intenção assustar você, mas precisamos conversar” — só pode ser brincadeira mesmo, viu.

“Thomas, eu não tenho nada pra falar com você, conversando de boas, tomamos sorvete, você sabe das tragédias da minha vida, mas é só isso mesmo” — será que ele adivinhou que eu não consigo parar de pensar nele? Mandando mensagem assim complica mais ainda minha vida. (Já falei sobre a foto de perfil dele ser linda? FOCO, ELENA).

“Olha só, eu não fui legal com você, mas precisa mesmo disso tudo?” — Meu filho, esquece, não quero falar com você! (Talvez eu queira, mas não queria querer).

“Por que não vai atrás de outras garotas? Muitas delas dariam muito pra ter várias conversas legais contigo” — mando isso e algumas carinhas safadas, que ódio, eu deveria tá sendo grossa com ele.

“Ah, já está brincando, não é? Elena, não se faz de santa, você não é!” — Ele que coloca carinhas safadas dessa vez.

“Thomas, não estou brincando não!” — encaminho rápido assim que a mensagem anterior chega.

“E eu estou?” — Que abusado. — “Me encontre no Grill amanhã e noite, aí nós sabemos quem tá brincando ou não” — manda carinhas de olhinho piscando, não consigo evitar um sorriso.

“Você é um abusado, sabia?”

“Tchau, Elena” — envia por fim.

“Ei, como conseguiu meu número? Tá me perseguindo, é? Vai me sequestrar?” — Falo antes que ele saia.

“Tchau, Elena, boa noite e sonhe comigo!” — Não acredito que estou lendo isso... coloco uma ruma de emoji de dedo do meio pra ele e saio sem falar mais nada.

Esse garoto é louco, claro que não vou perder meu precioso tempo indo conversar com ele. Tudo bem que foi uma conversa divertida, mas não estou a fim! Viro par o lado e finalmente consigo dormir.

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