Mundo de ficçãoIniciar sessãoNicholas Alencar é um CEO implacável que vive exclusivamente para o trabalho. Pressionado pelo avô para se casar em trinta dias — ou perder o controle do império hoteleiro da família para o primo incompetente —, ele se vê completamente encurralada por uma exigência absurda. Maya é uma estudante determinada de Administração que se desdobra em dois empregos para salvar sua família da ruína. Após seu pai cair em um golpe financeiro devastador, ela passa os dias trabalhando como camareira no hotel de Nicholas e os finais de semana como garçonete em uma boate de luxo, correndo contra o tempo para evitar uma ordem de despejo e as ameaças de um agiota. O destino dos dois se cruza no corredor escuro de uma área VIP em Nova York. Ao descobrir o desespero de Maya, Nicholas enxerga a oportunidade perfeita e faz uma proposta audaciosa: um casamento por contrato de um ano. Ele quita as dívidas que destroem a vida dela, e ela aceita fingir ser sua noiva apaixonada diante da imprensa e da alta sociedade. O acordo é estrito: apenas negócios, sem sentimentos e sem toque. Mas, dividindo a mesma cobertura, manter a distância e resistir à química avassaladora que surge entre o chefe frio e a camareira brilhante se tornará o maior desafio de suas vidas.
Ler maisO almoço de domingo na mansão dos Alencar tinha gosto de areia para Nicholas. Sentado à mesa de mármore na varanda gourmet, ele encarava o avô, Augusto Alencar, que bebia seu vinho calmamente. Nicholas tinha dedicado os últimos cinco anos da sua vida àquela rede de hotéis de luxo. Ele não tinha finais de semana, não tinha férias. Ele vivia para os negócios.
— Você está deixando os investidores nervosos, Nicholas — Augusto começou, deixando a taça de lado. A voz do velho era mansa, mas carregada de veneno. — O mercado de hotelaria de luxo não quer ver apenas relatórios financeiros perfeitos. Nós vendemos experiências, sofisticação, tradição. E a imagem pública do meu CEO é a de um homem frio, um solteirão que só sai em colunas de fofoca por passar a noite trancado no escritório. Nicholas soltou os talheres, o som do metal batendo no prato quebrando o silêncio da varanda. — Os investidores estão recebendo doze por cento a mais de lucro neste trimestre, avô. Se eles estão nervosos com a minha vida pessoal, o problema é deles, não meu. Meu foco está em expandir a marca. — Mas o controle da holding é meu — Augusto rebateu, inclinando-se para frente, os olhos fixos no neto. — E o estatuto da família exige solidez social para a posse definitiva das ações majoritárias. Seu primo, o Gustavo, já entendeu o jogo. Ele acabou de se casar, a esposa dele é de uma família tradicional, eles aparecem em jantares beneficentes. O conselho está adorando a postura dele. Ele passa a imagem de um herdeiro estável, enquanto você parece um robô de terno. Nicholas sentiu a mandíbula travar. A menção ao primo incompetente fez seu sangue ferver. — O Gustavo não sabe a diferença entre um relatório de auditoria e um panfleto de turismo — Nicholas disse, a voz pausada e fria. — Você vai entregar o controle dos hotéis para um idiota só porque ele assinou um papel de casamento? — Vou — Augusto foi direto, sem hesitar. — Estou velho, Nicholas, e quero deixar o império seguro. Estou te dando um ultimato. A reunião extraordinária do conselho é em trinta dias. Se até lá você não aparecer casado e com uma imagem pública renovada, eu assino a transferência das ações para o Gustavo. Você tem um mês para arrumar uma esposa. Ou faz isso, ou está fora da minha empresa. Augusto se levantou e saiu, deixando Nicholas sozinho com o peito subindo e descendo de raiva. Perder a empresa estava fora de cogitação. Ele daria um jeito, nem que precisasse comprar o casamento de alguém. . . Do outro lado da cidade, o desespero tinha nome e sobrenome na cozinha de Maya. Seu pai estava sentado na cadeira com as mãos cobrindo o rosto, os ombros sacudindo em um choro sufocado. Na mesa de fórmica, o envelope do banco estava aberto ao lado de uma folha com letras vermelhas e carimbos judiciais. — Pai, pelo amor de Deus, fala comigo — Maya pediu, ajoelhada ao lado dele, segurando suas mãos trêmulas. — O que é essa carta? Que dívida é essa? O pai finalmente ergueu o rosto, os olhos vermelhos de vergonha e cansaço. — Eu não queria falar, filha... Achei que ia resolver, tive tanta vergonha... — ele desabafou, a voz falhando. — Três meses atrás, o Roberto me procurou com um negócio de importação de peças eletrônicas. Ele disse que o contêiner já estava no porto, que o retorno era garantido e rápido. Prometeu que o dinheiro ia triplicar em sessenta dias. Eu me empolguei, Maya. Achei que finalmente ia dar uma vida boa para vocês. — E de onde veio o dinheiro, pai? — Maya perguntou, sentindo um frio bizarro no estômago. — O banco fez um empréstimo alto, dividido em três parcelas gigantescas, e eu dei a nossa casa como garantia. O Roberto sumiu com tudo na semana seguinte. Eu fiquei sem o dinheiro e com as parcelas. A primeira eu paguei com todas as economias da nossa vida. A segunda venceu no mês passado... Eu não tinha de onde tirar, fiquei desesperado e peguei dinheiro com um agiota do bairro para o banco não tomar a casa. A mãe de Maya soltou um grito abafado, levando a mão à boca. O pai continuou, chorando ainda mais: — Agora a terceira parcela do banco venceu, o agiota está me ameaçando todo dia cobrando os juros do mês passado, e o banco mandou a execução. Eles deram trinta dias para quitar tudo ou a casa vai a leilão. Nós vamos ser despejados, Maya. Eu joguei a nossa família no lixo. Maya sentiu o chão sumir. A cabeça dela girou. Ela passava os dias limpando quartos no Hotel Alencar e as noites estudando, sacrificando o sono, a saúde e a juventude para tentar construir um futuro. E agora, o teto deles estava prestes a sumir. O pai tinha escondido o problema até a situação virar uma bola de neve impagável. — Calma, pai. Não chora — Maya engoliu o próprio pavor, forçando uma firmeza que não sentia. — O senhor errou em esconder isso da gente, mas a culpa é daquele canalha do Roberto. Nós não vamos perder a nossa casa. — Como, filha? É muito dinheiro! — a mãe desesperou-se. — Amanhã eu vou trancar a faculdade. O dinheiro da mensalidade já vai direto para ajudar nas contas e na comida. Eu tenho meu salário do hotel e vou procurar agora mesmo um trabalho extra para os finais de semana, qualquer bico na noite que pague por diária. Nós temos trinta dias para segurar esse banco e esse agiota. Eu vou trabalhar dia e noite, mas ninguém vai tirar a gente daqui. Maya abraçou os pais, sentindo o peso esmagador do mundo em suas costas. Ela não tinha a menor ideia de como conseguiria aquela fortunaNaquela noite de domingo, muito depois do jantar, as luzes da casa de Helena ainda estavam acesas em um dos salões mais afastados. As cortinas estavam fechadas, e apenas uma lampada de luz amarela e fraca iluminava a mesa de madeira escura. O ar ali parecia mais pesado do que fora, carregado de raiva contida e de uma inveja que já durava meses. As três pessoas que mais tinham motivos para querer a queda de Maya estavam ali reunidas: Helena sentada na cabeceira, com a postura rígida de quem nunca aceita perder; Gustavo andando de um lado para o outro, com os passos rápidos e impacientes sobre o carpete; e Brigitte parada perto da janela, olhando para fora sem ver nada, com os olhos cheios de um ressentimento que não conseguia mais esconder. — Não sei o que ele viu nela — começou Gustavo, parando de repente ao lado da mesa e batendo levemente os dedos sobre o tampo. — Ela apareceu do nada, como se tivesse caído do céu, e de uma hora para outra ele age com
Na manhã seguinte, o sol invadiu o quarto devagar, tingindo os lençóis de um tom dourado suave. Nicholas já estava acordado há algum tempo, apoiado no cotovelo, observando o rosto de Maya enquanto ela dormia. A sua mão repousava com extremo cuidado sobre a barriga dela, como se estivesse tocando algo frágil e precioso ao mesmo tempo.Quando Maya abriu os olhos, ele sorriu — um sorriso pequeno, mas verdadeiro, que fazia os olhos escuros dele brilharem de um jeito que poucos conheciam.— Bom dia — disse ele, baixinho. — Conseguiu descansar?Maya assentiu, aconchegando-se mais perto do peito dele.— Melhor do que há muito tempo — respondeu ela. — Mesmo sabendo que eles não vão parar.Nicholas suspirou, mas não soltou o corpo dela.— Mandei reforçar tudo durante a madrugada — contou. — Trocaram todas as fechaduras, instalaram câmeras em cada canto e só deixei quem realmente confio trabalhando aqui. Ninguém entra ou sai sem que eu saiba.Mais tarde, quando tomavam café na cozinha ampla, Ma
Depois que o carro de Helena sumiu de vista, o silêncio voltou a reinar na varanda, mas agora ele não era mais pesado ou desconfortável. Era o silêncio de quem acabou de passar por um teste e descobriu que não está mais sozinho.Nicholas ainda me segurava pela mão quando entramos de volta para dentro da casa. Ele fechou a porta de vidro com cuidado, e depois me puxou para sentarmos no sofá grande da sala de estar. O sol batia nos tapetes claros e nos móveis de madeira, deixando tudo mais leve, mas eu sabia que ainda havia coisas que ele não tinha me contado direito.— Preciso te mostrar uma coisa — ele disse, soltando a minha mão e levantando devagar. — Algo que eu guardei só para mim há muito tempo. E que faz tudo o que estamos vivendo ficar ainda mais importante.Ele foi até o escritório e voltou com uma pasta de papel marrom, bem dobrada e fechada com um elástico. Sentou-se de novo ao meu lado e ficou olhando para ela por alguns segundos, como se estivesse juntando coragem.— Anos
A estrada de Long Island se estendia à frente, com as árvores altas fazendo sombra sobre o asfalto. A limousine andava devagar, e pela janela eu via o mar ao fundo, cinza e calmo sob o sol da manhã. Nicholas segurava a minha mão com força, entrelaçando os dedos nos meus. Não era mais o aperto de quem cumpre uma regra do contrato. Era o aperto de quem tinha medo de me perder, e agora faria de tudo para não me soltar nunca mais.— Já estamos chegando — ele disse baixo, como se estivesse contando um segredo só para mim. — Ninguém vai vir aqui sem a nossa permissão. Ninguém vai interferir. A partir de agora, essa casa é só nossa.Eu olhei para ele. Usava uma camisa branca simples, sem gravata, e os cabelos um pouco bagunçados. Não parecia o dono de um império que todo mundo respeita e teme. Parecia só ele: o homem que tinha me beijado na madrugada, que tinha pedido perdão com os olhos cheios de dor, que agora segurava a minha mão como se eu fosse a coisa mais valiosa do mundo.— Eu sei —





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