1692 - Condenas Pelo Destino

1692 - Condenas Pelo DestinoPT

Amanda Kraft  En proceso
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Resumen
Índice

Susan Rios, uma escritora de sucesso, decide fugir para Sant’Anna do Tietê em plena madrugada chuvosa. Ao conhecer a pequena cidade, depara-se com fatos estranhos relacionados às mortes repentinas de antigos moradores. Vasculhando o passado do local, encontra Valentina, uma moça de rara beleza, de aparência frágil, que lhe conta sobre a maldição que paira sobre a cidade. Para quebrar essa maldição e salvar o belo médico por quem se apaixona perdidamente, Susan precisara conhecer o grande segredo que Valentina esconde. 1692 – Condenadas pelo Destino é uma estória sobre a luta entre o amor e o ódio, entre a resiliência e a paixão.

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63 chapters
Capítulo 1
                                                          Sant’Anna do Tietê, 2016                                                                       Susan Rios  Nem preciso dizer que a noite foi um saco, mesmo Fabíola, minha agente literária, tentando fazer de tudo para que eu sorrisse e flertasse com alguém no mais novo barzinho da cidade.  Às vezes é preciso seguir nosso instinto. O
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Capítulo 2
Chovia torrencialmente no fim de tarde quente daquela cidade perdida no nada.  O céu escureceu repentinamente, em meio à pressão pegajosa do ar umedecido que o deixava cheio de estática, pegando de surpresa os moradores que voltavam para suas casas, depois de um dia puxado de trabalho. Raios riscavam o céu negro, iluminando as lápides enegrecidas cobertas pela grama aparada do velho cemitério, que se erguia no coração daquela cidade. O vento enfurecido corria por entre as estátuas de anjos com olhos piedosos voltados para o céu, trazendo o som das vozes mortas que se erguiam em lamento por algo que estava por vir. O barulho ensurdecedor de violentos trovões aumentava o ímpeto da tempestade, que ousava sobrepujar a vontade dos que tentavam se defender da sua fúria. A árvore secular torta, cujas raízes grossas se agarravam à pequena sepultura, feito garras, b
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Capítulo 3
Apesar de gostar de arquiteturas antigas, ainda não me encontrava preparada para encarar o passado tão de perto assim. Coisas antigas têm sua magia para se olhar, entretanto, desfrutar desse desconforto é algo para se pensar. Como viviam no século passado? Como se viravam sem as coisas que temos hoje e não abrimos mão? É uma sensação estranha se imaginar vivendo como eles. Difícil explicar. Sentia que se eu fechasse os olhos naquele lugar antigo, iluminado apenas por luzes de velas, pudesse acontecer algo ruim. Saber que o interruptor ficava bem ao lado da cama, dava-me uma sensação de segurança. Bobagem esse pensamento, entretanto não consigo me desvencilhar dessa sensação de que algum morador antigo, de um passado distante, pudesse aparecer no quarto, enquanto eu dormia, querendo reivindicar seu espaço e suas coisas. Depois de refletir sobre ess
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Capítulo 4
Acordei abruptamente sem saber ao certo onde estava. Quando meus olhos focaram nas flores do vaso ao lado da cama, soube que não estava em meu apartamento. Nem em sonho meu quarto era tão arrumado quanto aquele, e muito menos com flores. Nem me lembro da última vez que ganhei flores! Acho mesmo que nunca ganhei, exceto quando recebi meu primeiro prêmio como escritora. Mas isso não vem ao caso.Espreguicei na cama e levei alguns segundos para sair dela. Fazia tempo que não tinha uma noite tão boa assim. Acho que era o clima do lugar. Espiei pela janela e vi que a chuva havia parado, porém o dia ainda estava cinzento e frio. Ia descer para o café, quando reparei que só havia trazido na mala blusinhas de verão, e pelo jeito como as pessoas caminhavam agasalhadas pela rua, supus que lá fora devia estar bem frio. Pensei em dar uma olhada na cidade e aproveitar para comprar um agasalho reforça
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Capítulo 5
Saí do hotel hesitante. O que fora tudo aquilo? Assim que fechei a porta, senti um vento cortante assobiando gelado. Fui andando pelas ruas segurando os braços e amaldiçoando ter vindo correndo para essa cidade, sem pensar no que estava fazendo. Se pensasse, teria trazido mais roupas. Virei numa rua e me vi numa praça circular empanturrada de pessoas e, graças a Deus, cheia de lojas. Entrei na primeira em que vi roupas de frio expostas na vitrine. Estava tremendo e, com certeza, com os lábios roxos. — Querida! Não devia sair de casa só com essa blusinha — disse a vendedora, uma senhora rechonchuda e simpática, assim que me joguei dentro da loja. — Não sou daqui. Não sabia que estava tão frio assim nessa cidade, já que estamos em pleno verão. — Eu sei! — disse, abaixando os olhos — Então! Do que precisa? — perguntou, voltando a ficar alegre. — Casaco! Bem quente — respondi, ainda segurando os braços. — Esse aqui deve servir. Mostrou-me
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Capítulo 6
Aquecida, voltei ao hotel apenas para deixar as sacolas no quarto. Passei pela portaria correndo, simplesmente para não me deparar com meu “educado amigo recepcionista“ e voltei às ruas. Havia um vento cortante no meio da praça, onde as pessoas andavam sem parecer se importar. Não sei como não tinha visto a fonte quando passei por ali mais cedo. Era impossível não ver a figura feminina, olhando majestosa do alto, e o mulherio que a rodeava à procura de sua benção de amor. Aproximei-me devagar, com as palavras da vendedora martelando em meus ouvidos. A fonte era incrível, adornada de bronze e concreto. A seus pés havia tantas fotos amareladas, algumas até apagadas, que contorcidas pela umidade, grudavam em sua base, ficando impossível vê-la. Parecia que eram os papéis que sustentavam a moça majestosa.Fiquei admirando-a, tendo à
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Capítulo 7
Decepcionada, frustrada, joguei-me na cama sem ter o que fazer. Senti falta do meu notebook. Apenas um dia sem ligá-lo e já estava com os dedos comichando, com saudade das teclas negras e brancas do teclado. Levantei e o apanhei do armário.— Hei, belezinha. Está com saudade da mamãe? — me dirigi a ele como se fosse uma pessoa, mas e daí?Não tenho nenhum cachorro ou gato com quem conversar. Eles não suportariam viver comigo. Com certeza acabaria por me esquecer de alimentá-los, como faço comigo quando estou escrevendo. Abri o bichinho, antecipando o prazer de ir para a internet checar as últimas notícias do dia, e também as do meu Face, embora deixasse as inúmeras perguntas e mimos dos meus fãs para alguém da minha equipe responder. Não estaria sendo justa com os leitores se não confessasse que isso só acont
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Capítulo 8
Durante a noite, enquanto dormia quentinha naquela cama macia, pensei ter ouvido trovões ao longe e visto algum clarão no quarto, porém, só vim a descobrir que havia chovido torrencialmente, pela manhã, quando estive na recepção do hotel.Da chuva em si não me lembro, contudo, lembro perfeitamente do sonho estranho que tive, pela segunda vez: O vento açoitava o rio, erguendo ondas furiosas que batiam na margem, adentrando as calçadas. Raios iluminavam o céu, deixando o lugar como no clarão do dia. Janelas iluminadas num instante se apagaram, e o lugar todo ficou tomado por um breu, que logo foi dissipado por uma neblina pegajosa e densa. Eu olhava a tempestade através de uma janela oval e pude ver o raio intenso descer ziguezagueando até um grande carvalho, partindo-o ao meio. Houve um estrondo ensurdecedor e me lembro de ter espalmado as mãos na janela, assustada. Embora
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Capítulo 9
Eu olhei com vontade de esganá-lo. Não sei se ele tinha alguma coisa contra mim ou se tratava todo mundo daquela forma. Penso que se fosse meu funcionário eu o colocaria no olho da rua. Porém, se ainda estava trabalhando ali é por que devia ter algum valor para o proprietário, ou então, ninguém nunca tinha reclamado do tratamento que ele impingia aos hóspedes e, não seria eu a primeira a reclamar. Respirei profundamente, mostrando meu descontentamento, e abri na página da notícia, estendendo o jornal diante dos seus olhos.— Essa aqui! — Mostrei-lhe desafiadoramente.— Ah! Essa! — deu de ombros  Vi, ou melhor, li.— E então?— E então o quê, senhora?— Você — disse, me lembrando de que fora ele que mencionara a Casa da Colina para mim, quando saía à procura de uma l
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Capítulo 10
Ouvi quando a voz esganiçada derrubou a cadeira, com estrondo, ao se levantar apressada.— Mamãe! — ralhou a moça — Eva, minha mãe está brincando...— Eu tenho que ir.A moça passou por mim feito um foguete, enquanto a velha ainda ria às minhas costas.— Francamente, mamãe. Acho que devia deixá-la num asilo. Veja o que fez à Eva! Ela nunca mais vai querer conversar comigo.— Essa moça é assustada demais. Merecia um bom susto.— O que tem contra ela? Somos amigas há tanto tempo.— Foi por causa dela que você não se casou. Eu sei.— Não me casei por que não deu certo, mamãe.— Foi porque ela meteu o bedelho onde não era chamada e só você não vê. Ela se faz de sonsa, mas de sonsa não tem nada.&m
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