A Única: o mal não está em mim

A Única: o mal não está em mimPT

Sandy Azevedo  En proceso
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Resumen
Índice

Alice é uma adolescente de dezessete anos que se sente enclausurada em sua pequena cidade. Ela e sua família nasceram lá, ainda assim, quando ela passa com sua bicicleta, todos os rostos se voltam para ela; como um girassol ao Sol. Ela é A Única em meio a tantos padrões. Romeu, o filho do prefeito, não a suporta e contamina todos contra Alice. Ela se esconde e se camufla, apenas para que a esqueçam. Preconceito, bullying, ataques e traumas, assombram Alice por toda a sua vida, até que um professor de Matemática aparece e mostra a ela que: enfrentar seus medos, somado a coragem, resulta em vitória. Uma conta difícil de resolver, mas que ele a ensinará diariamente que, além da vitória, o resultado também pode ser um inesperado e proibido sentimento. Será que Alice vai aprender que a incógnita encontrada em sua equação pode ser aquilo que vai libertá-la de seus medos?

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33 chapters
Capítulo 1
— Alice, já está pronta, filha? – chamou minha mãe da cozinha.Eu não queria ir para a escola, na verdade eu não queria ver gente. Eu era antissocial? Sim, ou claro?Suspirando, peguei minha mochila de coruja com meus materiais bem organizados. Eu tinha um certo vício por materiais escolares, o que era irônico vindo do lugar que mais sofria.Parece meio dramático demais vindo de uma adolescente de dezessete anos. Talvez fosse mesmo. No entanto, minha cabeleira ruiva volumosa, minhas sardas fracas, porém insistentes como luzes de neon quando eu me constrangia, ou ainda meu corpo nada magro e nada gordo, não encaixava no ambiente escolar. Soma-se a isso minha mãe ser solteira e ter ido num show de rock anos atrás, conhecido um irlandês por uma única noite e eu surgido nesse enlace de amor precoce.Esses foram os ingredientes perfeitos para sermos julg
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Capítulo 2
Comecei a subir as escadas quando senti um tapa em minhas costas fazendo-me cair de quatro no chão. Lágrimas queimavam meu globo ocular e a tensão irradiou no meu corpo na tentativa de não chorar, ou minhas sardas ficariam ainda mais fortes e seria motivo de chacota por mais um dia.Olhei para trás e todos próximos riam de mim. Levantei e saí correndo com Clara em minha cola pedindo para parar. Por onde eu passava, as pessoas olhavam-me em silêncio e, quando estava de costas para elas, o coro do riso se seguia.Era como se eu estivesse abrindo o caminho para a algazarra.— Alice, espera! Tire isso das suas costas! – gritou Clara e virei-me de costas, ainda correndo.— O quê? – perguntei confusa e senti o impacto.Fui ao chão em cima de uma pessoa.Braços fortes me seguraram em seu peito, meu capuz soltou e minha cabeleira encobriu nós do
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Capítulo 3
Os dias foram passando, mas a ameaça de Romeu ainda martelava em minha mente. Clara garantiu que era impressão minha.Também pudera, eu sempre havia sido ridicularizada na escola.Romeu, porém, além de líder do time, tinha várias meninas aos seus pés. Somado a isso, era filho do prefeito. Eu não tinha chance e nem queria. A única coisa que pedia, diariamente, era para ficar em paz.A escola, como um todo, depois das respostas de Andrew, pareceu me deixar um pouco mais tranquila. Ainda cochichavam pelos corredores e escreviam em meu armário, mas raramente alguém se dirigia a mim para me atingir.Tudo graças a Andrew.Matemática não era minha disciplina favorita, como qualquer exata e, por mais que ele fosse um ótimo professor, eu não conseguia assimilar letras e números unidos em prol de uma incógnita.A verdade
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Capítulo 4
Mais uma semana e meia passou. Estava tudo normal, por incrível que pareça. Minha mãe continuava insistindo que eu deveria escolher minha profissão, mas sempre dava um jeito de colocar a palavra “arte” no meio.Flavinho sempre amou a computação e já fazia trabalhos com manutenções de computadores, criava sites básicos e coisas do tipo, mas como seu pai era policial, o estava induzindo a fazer Direito.Clara, como eu, não havia decidido ainda. Ela, porém, estava indecisa entre veterinária e psicologia. Eu e Flavinho, no entanto, a estávamos desencorajando com a psicologia.Maluca do jeito que era, iria piorar o quadro dos pacientes.— Eu também sofro bullying, e pior, dos meus melhores amigos! – falou ajeitando o jaleco.Estávamos aguardando a professora de Biologia no laboratório. Eu até gost
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Capítulo 5
O sábado chegou e com ele a responsabilidade de ir à casa de Romeu. A cidade pequena, geralmente fria, hoje estava igualmente nublada.Eu usava meu blusão com touca habitual, meu all star preto com estrelas brancas. Por baixo, uma blusa fina amarela de alças. Portanto, nada fora do normal.Eu e minha família morávamos mais próximos da saída da cidade. Isso era pura estratégia. A cidade era engraçada. Ela tinha um grande aclive, onde na parte de cima haviam cavernas com escritas e desenhos históricos que atraíam alguns turistas.O fato de ficar no alto da cidade fazia com que a maioria nem adentrasse, a não ser para comer e os mais corajosos, dormirem. Assim, minha família que vivia de arte, construiu suas casas e lojas o mais próximo possível.Exatamente em cima da colina não era possível porque era um patrimônio mun
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Capítulo 6
— Cale a boca, sua puta esquisita! – com sua fala, veio um tapa em minha cara. — Pare Romeu! – pedi chorosa já sem forças. — Você já é toda vermelha esquisita, um tapa apenas combinará com suas sardas. Seu pênis começou a ficar ereto e ali temi sobre o que ele faria. O calor estava demais e comecei a friccionar minhas pernas em busca de alívio. Era algo totalmente estranho. Claro que eu já havia me dado prazer antes, mas nada era parecido com isso. A comichão era tamanha a ponto de coçar. Eu não sabia explicar. — Olha o tesão vindo olhando para meu pau. Sua safada. Eu sabia que você gostava. — Socorro! – gritei uma última vez e clamei aos céus por uma saída. — Chega de conversa! É hora de comer e ver se sua boceta é tão rosada como seu cabelo e mamilos. — Não! – disse me afastando e batendo na porta. Comecei a socá-la em busca de socorro, até que finalmente ouvimos o interfone. — Graças a Deus – murmurei
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Capítulo 7
Eu me recompus e voltei ao meu quarto, trocando minha roupa confortável pela minha clássica blusa de frio com capuz. Meus instintos provaram-se corretos quando minha mãe bateu na minha porta e entrou. — Oi mãe – cumprimentei sentada na cama e balançando as pernas cruzadas. — Estão aqui – se limitou a dizer. — Eu sei. — Querem falar com você. — Eu, não – admiti olhando para ela e lacrimejando meus olhos. — Alice, isso é necessário filha. Eu não os suporto e lhe garanto que a protegerei. Eles não farão nada com você porque eu estarei lá. Não pude estar contigo no pior momento, mas quando meu coração apertou eu fui ao seu encontro. Ainda bem que cheguei a tempo do pior – falou e limpou uma lágrima solitária. — Eu a agradeço, mãe, mas não quero vê-lo de novo, por favor. – Segurei o choro. Minha mãe se aproximou, sentou-se ao meu lado e me abraçou apertado. — Nenhuma arte de Melancolia [1]seria forte o bastante para
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Capítulo 8
Eu nunca havia me atraído verdadeiramente por um homem, mas aquele me desarmava toda. Meu receio maior era se o sorriso era por me ver ou por lembrar do que viu nos vídeos. Pensando nisso, comecei a suar. Será que ele também me viu em tamanha situação vexatória? Tremi. Eu precisava de ar. Levantei a mão e pedi para ir ao banheiro. Ele me olhou confuso, mas me entregou o pequeno cartão de permissão. Saí da sala às pressas e me dirigi ao banheiro. Abri a torneira, lavei meu rosto de forma abundante e o sangue seco na boca. Por fim, escorei as costas na pia olhando para o teto. Eu sabia que precisava enfrentar a realidade, mas era dolorosa demais. Eu não queria enfrentar nada e era inocente. As consequências, no entanto, estavam lá e eu precisava aceitar e conviver com isso. Voltei para a sala e tentei prestar atenção na aula, pois seriam várias dele em sequência. Na saída de sua aula para o intervalo, passei próxima a ele e o mes
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Capítulo 9
— Isso se repetirá, sempre? – ironizou caindo de lado. Olhávamos para o céu buscando estabilizarmos nossas respirações. Quando a mesma foi feita, um ataque de riso me acometeu e ele me acompanhou. — Desculpe, professor – falei. — Não estamos na escola. Pode me chamar de Andrew ou And. Sua fala veio acompanhada de um sorriso gentil e isso me desarmou. Meus olhos passearam por sua face, onde uma barba rala crescia. Seus cabelos pretos foram capturados pela luz fraca do sol, que passava nas frestas das árvores do outro lado, que foi para onde nós seguimos. Era bobo constatar isso, mas eu estava com medo de novo. Dessa vez, porém, o medo era de me apaixonar. * - * - * - * - * - * - * - * - * - * No outro dia na escola, meu sangue fervia só de pensar em Romeu. Eu tremia tanto de medo, mas mais ainda pela coragem. Pela primeira vez, em anos, penteei meu cabelo liberando meus cachos luminosos. O sol estava tão quente q
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Capítulo 10
Em casa, cumprimentei minha mãe e senti saudades de suas comidas estranhas. É incrível como estar bem com sua mente deixa tudo também com ar de leveza. Depois de organizar meu material, sentei em minha cadeira, de frente para a minha escrivaninha e anotei mais alguns pontos em meus post-it. Eu amava ler livros de obras novas e pontuar o que achei bom, o que não gostei, o que achava que cabia melhora e o que, definitivamente, deveria ser retirado. Minha mãe chamou na cozinha e desci as escadas. Senti cheiro de açúcar queimado e forcei um sorriso. Eu sentia saudades de suas comidas, mas só quando davam certo. — Qual experiência científica passaremos hoje? – zombei. — Engraçadinha, você. Notei que está mais sorridente desde que chegou de seu passeio de bicicleta. Acreditava piamente que você ia voltar com ódio no peito, afinal, terá que ver aquele asqueroso na escola. Minhas bochechas voltaram a esquentar e peguei um pedaço de frango gene
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