Capítulo 4

       Depois de comer metade dos salgados, dormi as horas seguintes, encolhida na poltrona por causa do frio, por não ter levado nenhuma coberta.

        Teria dormido melhor, se não fosse em cada parada que o ônibus fizesse, as pessoas não tivesse que descer e fizesse o maior barulheira ao fazer isso.

        Pouco tempo depois de amanhecer, acordo sentindo todo meu corpo dolorido.

        Uma placa verde adiante na estrada dizia que já estávamos próximos.

       Estava próxima do Rio de Janeiro. Finalmente.

        Pouco menos de uma hora depois, o ônibus para em uma rodoviária bem mais movimentada do que a primeira que desci.

–  Vê se toma cuidado – diz o fiscal ao lado do ônibus – Não confia em ninguém. Sabe pra onde ir?

          Assinto, pegando o pedaço de papel com um endereço.

          Ele lê o endereço.

–  Não vá de ônibus, entendeu? – Assinto novamente – Pegue um táxi. Tem dinheiro para um táxi? – Mostro o dinheiro que ainda tinha – Deve dar. Só entre em um táxi que tiver outra pessoa. Entendeu?

–  Ótimo – Ele me entrega o papel.

          Ando para fora da rodoviária, algumas pessoas esbarrando em mim no trajeto.

          Fora da rodoviária o movimento intenso agora, era de carros, ônibus e vans.

          Tinha pessoas gritando vendendo água, outras vendendo salgados e outras chamando para entrar em vans.

         Paro ao lado do ponto de ônibus, tentando encontrar um táxi.

         Passa pelo menos dois, até que o terceiro, tinha alguém dentro e dou sinal.

         O motorista para, me olhando de cima a baixo.

         Entro no veículo, colocando a bolsa sobre meu colo ao sentar ao lado de uma mulher.

–  Vai pra onde, moça? – O motorista pergunta, se virando em minha direção.

–  Pra este lugar aí – digo entregando o papel.

–  Este endereço? – Ele pergunta surpreso.

          Assinto.

–  Preciso ir para este endereço aí.

         Ele volta a me olhar.

–  É um lugar perigoso pra você ir sozinha. Tem parente lá?

         Nego no mesmo instante.

–  Preciso ir, moço. Pra este endereço aí.  

         Ele assenti relutante.

–  Deixo você lá então. Só não posso entrar no morro.

        No caminho até o morro. Tentava descobrir sozinha, o que era este tal deste morro.

        Nunca havia ouvido falar e me parecia ser apenas um lugar simples, com casas simples num morro.

        A mulher desce algum tempo depois, me deixando sozinha e apreensiva com aquele homem.

       Mais alguns minutos e o centro da cidade é deixado para trás, dando lugar a casas aglomeradas uma do lado da outra.

       O motorista estaciona o carro na entrada de uma longa estrada em subida, perto de um ponto de ônibus.

–  É aqui, moça – diz me olhando – Só posso vir até aqui.

       Assinto ansiosa.

–  Deu quanto?

–  Vou cobrar só 50 reais – Lhe dou o dinheiro, recebendo o troco.

       Desço do ônibus, dando alguns passos para longe do táxi, começando a subir aquela subida que, não parecia ter um fim.

       Paro algumas pessoas para pedir informações, todas dizem a mesma coisa: mais pra cima.

    Já não aguentava andar, quando paro em uma viela e vejo Lidiane passar.

–  Lidiane? – Chamo saindo as pressas da viela, encontrando ela parada na rua estreita.

–  Maria? – Ela semicerra os olhos, me olhando com atenção – É você mesmo?

–  É – Ela se aproxima, me abraçando.

–  Tava preocupada com você. Pelas contas da minha mãe, já era para estar aqui.

      Ela se afasta, mas não deixo de sorrir.

–  Acho que me perdi. Aqui é longe, não é? – Olho para algumas crianças que passa correndo.

–  É um pouco longe.

       Lidiane estava diferente, desde a última vez que a vi.

       Parecia mais...mulher.

       O cabelo castanho– claro cacheado de antes, dera lugar a um cabelo esticado e quase perfeito.

       A pele parda, antes queimada pelo sol, agora era parda.

       Seu corpo não era mais magro e esguio. Tinha curvas e não era mais tão magra assim.

–  Então, onde eu vou trabalhar? – Estava ansiosa para saber onde e poder começar o mais rápido possível.

        Ela força um sorriso amarelo, sem jeito.

–  É aqui perto.

–  Então vamos! – Ela assenti hesitante, andando em minha frente.

      As casas eram mais próximas do que imaginava, havia fios expostos por todo lado e esgoto de vez em quando.

      As ruas eram asfaltadas, o que pra mim já era alguma coisa legal. Só via asfalto na cidade e ali via por toda parte.

      Lidiane para em frente a uma casa de três andares, pintada de vermelho.

–  É aqui – diz sem muita emoção.

–  E o quê...exatamente vou fazer aqui? Sua mãe não disse no que iria trabalhar – Nas minha cabeça, iria trabalhar numa lanchonete ou em uma empresa – Você dorme aqui? Vou dormir aqui também?

      Lidiane respira fundo, segurando minha mão.

–  É melhor a gente entrar, Maria. Vou... explicar tudo para você.

      Assinto receosa, entrando com ela na casa.

 

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