Capítulo 6

Mel chegou em casa, e como sempre, encontrou Christian bebendo. Ele ainda estava de farda e sentado no sofá, assistia televisão. Mel soube que tinha tomado a decisão certa ao passar no mercado. Pela feição sombria, Christian tinha tido um dia de cão.

Mel levou as sacolas de compras para a cozinha e as colocou em cima da mesa. Ela guardou os itens de geladeira e ao retornar para a sala, disse secamente:

- Eu comprei o seu pão.

Christian não desviou o olhar da TV.

Depois de uma tarde inteira sob o comando de Oliver, ele não estava para brincadeira.

Durante o jantar, o único som que se ouvia na cozinha era o dos talheres e copos. Mel reparou na bochecha de Christian.

- Dia ruim?

- Todos os meus dias são ruins, Mel.

- Os meus também. Tem uma névoa dentro da minha cabeça e uma neblina diante dos meus olhos. Nada faz sentido.

Christian ergueu os olhos escuros do prato de macarronada e olhou para Mel. Ele compartilhava da mesma sensação de vazio e desesperança.

- Eu acho que Jason vai me afastar e me m****r para o psicólogo do Departamento.

- Eu estou perdendo clientes, e como consequência, perdendo credibilidade e dinheiro.

Diante de suas dores e angústias, Christian e Mel trocaram um sorriso tímido.

- Nós dois desempregados e dentro de casa, um vai matar o outro. - Mel disse melancólica.

Christian afastou o prato de comida, pegou a latinha de cerveja e com um gole, bebeu todo o resto. Ele recostou na cadeira e com o olhar perdido, confessou:

- Eu tenho muito medo de enlouquecer.

Mel passou a língua pelos lábios ressecados. Sempre tem que ter cuidado para falar com Christian quando ele raramente se abre. Uma palavra dita de forma errada e ele volta a se fechar dentro da sua bolha.

- Eu acho que será melhor para nós dois se oficializarmos o divórcio, Christian. Não existe mais nada entre nós. Não faz sentido continuarmos com isso. Eu pensei bem, e eu vou priorizar a minha saúde mental.

Christian encarou Mel. Ele estreitou os olhos, pronto para reinvindicar os seus direitos.

- Eu não vou sair do apartamento.

Mel suspirou.

- Eu sei. Eu vou sair e dar entrada no processo de divórcio. Eu não vou brigar com você, Christian. Eu estou cansada demais para isso. Já vai ser de grande ajuda não precisar...

- Me ver todos os dias. - Christian completou a frase que Mel não teve coragem de terminar. - Por mim tudo bem.

- Ótimo. Eu vou começar a procurar uma casa menor.

- Você pode levar tudo. Menos as coisas do Gabriel.

Mel olhou para Christian com tristeza.

- Ele se foi. Ele não vai voltar. Devemos ficar com algumas coisas e doar o resto.

Christian deu um soco na mesa e gritou:

- Nunca!

Assustada, Mel recuou até o encosto da cadeira. Era um assunto delicado e Christian estava bêbado demais para enxergar um palmo da realidade bem debaixo do seu nariz.

- Está bem. Falaremos sobre isso uma outra hora. Quando você estiver se sentindo melhor.

Christian levantou e com as pernas pesadas, ele cambaleou.

- Nós não vamos mais tocar nesse assunto. As coisas do meu filho não vão sair dessa casa.

Resignada, Mel levantou, e passando um braço em volta da cintura de Christian, o levou para um dos quartos de hóspedes. Ela o deitou na cama e começou a tirar a sua farda.

- Vai dormir sem banho outra vez.

Christian se acomodou entre os travesseiros.

- Eu tomei banho de manhã.

Mel não levou a conversa adiante.

Ela ajoelhou na cama ao lado do futuro ex-marido e começou a abrir os botões da camisa azul marinho. Não era algo que Mel gostaria de estar fazendo, mas Christian já estava muito além do fundo do poço.

Christian olhou para Mel. Seus dedos quentes e macios deslizavam pelo seu corpo a medida que ela abria a sua camisa. Mel estava com os cabelos soltos e a fina camisola branca de seda, revelava que ela estava sem sutiã.

Os mamilos evidentes por baixo do tecido macio e quase transparente, fez Christian levar a mão até um dos seios fartos e firmes de Mel. Chocada, ela parou o que estava fazendo e olhou para ele com olhos arregalados.

- O que está fazendo?!

- Tocando a minha mulher.

Christian respondeu com naturalidade e apertou um pouco mais o seio de Mel. Ele gemeu excitado.

- Eu quero te foder.

Mel pegou Christian pelo pulso e afastou a mão dele. Seu seio ficou dolorido com o aperto forte.

- Eu não quero você, Christian.

- É só sexo.

- Eu não quero.

Christian deixou o braço cair ao longo do seu corpo.

- Sai daqui. Me deixa em paz.

Rapidamente Mel se afastou e ficou em pé ao lado da cama.

- Eu espero que você encontre a medida de paz que tanto procura.

"Eu também espero." Christian pensou e fechando os olhos, apagou em questão de minutos.

O apartamento que Oliver alugou de frente para a praia de Santa Mônica ainda era uma bagunça de caixas de papelão e móveis para montar. Embora pequeno e com um aluguel caríssimo, Oliver se apaixonou pelo lugar.

Não vai sobrar muito do seu salário de policial, mas a vista da praia com restaurantes, quiosques e lojinhas pela redondeza dão um toque a mais para o local e a visão noturna da roda gigante iluminada não tem preço.

Enquanto preparava uma refeição rápida, Oliver colocou o colchão no meio da sala. Ele precisava arrumar tempo para se instalar. A julgar pelo seu primeiro dia de trabalho, não sabe ao certo se vai permanecer em Los Angeles por muito tempo.

Já teve parceiros homofóbicos, mas ninguém igual a Christian. Ele é uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento.


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