Capitulo 4

Florence

Minha última reunião acabou e agora mais uma pessoa vem me ver e logo após uma breve conversa de apresentação nós iremos almoçar a conversar melhor.

Fui desperta de meus pensamentos quando Anne, minha secretária, me liga avisando que o Sr. Hawks chegou. O tal CEO.

― Sr. Hawks. É um imen... – Eu simplesmente travei quando me virei da janela para a porta e me deparei com o drogado gostoso do clube, era com ele a minha reunião? Quem é esse homem que está com ele?

― Sra. Russel? – Anne me acordou de meus pensamentos.

― Sim!? Ah, Sr. Hawks. Seja muito bem-vindo à Russel Company. É um prazer imenso recebe-lo. – Estendi minha mão para ele que a beijou delicadamente.

― Muito obrigado. O prazer é todo meu! Este é meu melhor amigo e CTO, Kobe Martin.

Apertei sua mão e os convidei para sentar. Ofereci algumas coisas e começamos a conversar.

Kobe e Jackson são Franceses e estudaram ambientalismo no Afeganistão. Quando voltaram para a França anos após se formarem, fundaram uma empresa de matéria prima para vários tipos de produtos. Até mesmo frutas você encontra por lá. São processadas para virarem polpa e serem vendidas a fábricas de suco, por exemplo. A HM Industry trabalha com qualquer tipo de matéria prima que você imaginar, pra minha empresa, isso é bom em vários pontos. Porque eles têm ligações direta com algumas produções Afegãs...

Depois de muito conversar, chegamos ao ponto crucial.

― Tudo bem, Sr. Hawks. Como o senhor pode ser útil para mim e eu para o senhor? – Me encostei na cadeira e cruzei os braços com um olhar cauteloso.

― Virgílio! – O código. Levantei as sobrancelhas tão rápido que ele nem deve ter percebido.

― Porque não oi direto ao ponto? Vamos almoçar e continuaremos esta conversa.

Seguimos para um restaurante que eu mesma já havia reservado, uma mesa bem longe de tudo e todos.

― Pois bem, no que posso ser útil para você? – Nós já deixamos a formalidade para trás.

― Eu pesquisei demais sobre você e tudo que já construiu, eu só não tinha um rosto. Quando conversei com alguns fornecedores do Brasil, soube que a sua empresa fazia parte do código. Depois de pesquisar bastante sobre você e sua empresa, pude ver o qual discreta é. Não tem nenhum tipo de indicio de que seja envolvida em algo assim.

― A intenção é essa. Não é?

― Sim, mas muita coisa acaba vazando e as especulações começam.

― Que tipo de coisa?

― Testes em água que apontam grande quantidade de lidocaína ou fermento. Acampamentos próprios para derrubadas de árvores e essas coisas.

― Ok, deixa eu ver se entendi. Você é formado em ambientalismo e destrói a natureza? – Estou chocada.

― Meu conselho de acionistas disse que gastaríamos menos se não colocássemos o selo verde na empresa.

― Jack, acorda! Eu falei pra você que isso era furada, cara. – Kobe se pronunciou depois de um longo tempo calado.

― Realmente, você colocou seu pescoço direto na guilhotina. Kobe, porque concordou com isso? Você também tem voz dentro da empresa. – Questionei.

― Ele não me ouviu, e a parte maior é dele, por mais que eu tivesse conseguido uns dois acionistas, ele com a parte maior da empresa, fez o que fez. Agora está gastando uma grana preta em processos judiciais. E aquele advogado da empresa não resolve nada.

― Tudo bem, eu errei, assumo! Só que estou disposto a corrigir o que der para corrigir e continuar da forma certa. – Jackson se rendeu. – No que você pode me ajudar quanto a isso?

― Certo, primeiro vamos por partes. Jackson, a quanto tempo você usa?

― Pelo menos dois anos e meio. Não sou viciado, só exagero um pouco as vezes.

― Ok, primeiro precisamos dar um jeito nisso. Nem tudo o que você vende, você usa.

― É impossível não usar...

― É possível sim. Estou a dez anos nesse cargo e nunca coloquei nem mesmo um simples baseado na boca. Ter domínio do próprio corpo é ter domínio da vida e de tudo que te rodeia. Vou te dar alguns comprimidos que irão te limpar em pouquíssimo tempo. Primeiro você se acerta e depois vamos acertar a empresa. Eu vou te ajudar porque você tem determinação, eu gosto disso.

― Ótimo, qual o plano? – Kobe estava ansioso e não parava de sorrir.

― Depois que esse cara estiver com a medicação em mãos, vocês vão precisar mudar a política da empresa e entrar com recursos para limpeza de tudo que vocês vêm destruindo. Saneamento básico, reflorestamento e tudo isso. Vamos transformar em uma empresa verde. Depois vou mandar um dos meus advogados da França até a sua empresa, empresta-lo por algum tempo. E ele reorganizará tudo e cuidará de toda a coisa judicial, vocês irão entrar com um acordo de sustentabilidade e tudo se resolverá. Após isso, começaremos a trabalhar juntos, do meu fornecedor da Colômbia, vai para suas mãos e me entregará a pasta já no ponto certo, eu só concluo o serviço por aqui e faço a distribuição.

― Por mim, tudo bem. – Kobe se pronunciou.

― Por mim também está tudo bem.

― Garanto que vocês não irão se arrepender.

Nossa refeição chegou e depois de pagar a conta voltamos direto para a Russel. Lá apresentei Mike a eles e fizemos um tour pela fábrica e laboratórios, peguei alguns comprimidos especiais e depois de embalado, entreguei à Jackson.

― Pra você! Tome todos os dias na hora que acordar e na hora de dormir. Beba muita água, muito mesmo. Você vai urinar uma espuma, não se preocupe. Em três semanas, já vai estar limpo e sem abstinência. Continue tomando e reduza a dose para um comprimido por dia, após um mês tome dia sim, dia não. Mais um mês e tome um a cada dois dias. Assim vai. Até você tomar apenas um no mês e acaba aí o ciclo, não o interrompa. Não precisa parar de beber e nem nada do tipo.

― Porque está fazendo isso por mim? – Nós estamos sozinhos do lado de fora do laboratório e ele está perto demais. O perfume dele é inebriante, e os olhos intensos. – Poderia apenas mandar eu me internar numa clínica.

― Clínicas são falsas. Eles te medicam com calmantes e anti depressivos. Você não é um viciado total e não tem depressão, pelo menos acho que não.

― Não, não tenho. Obrigada. Manteremos contato e antes de irmos embora, quero sair com você para algo mais casual. Para compensar a minha vacilada no clube ontem.

― Acho que posso aceitar este convite. – Dou um sorriso breve e ele sorri de volta.

― E Mike? É o seu namorado, noivo?

― Um amigo e também chefe de segurança.

― Hmm, certo. Eu vou indo. Foi uma tarde produtiva e eu vou te ligar para marcarmos um jantar antes de eu ir embora.

― Tudo bem, eu vou esperar. Pense com carinho em tudo o que eu disse e perdoe-me se em algum momento eu te ofendi.

― Me ofender? Se você fez isso, foi de forma tão doce e educada que eu nem percebi e provavelmente sorri.

Que voz e esse que esse homem tem? Estou com as pernas bambas. Nos despedimos com um aperto de mãos e ele nada satisfeito, me puxou para um abraço e me deu um beijo no topo da testa. É possível ser romantizada a tal ponto? Eu estou em choque. Choque. Foi como eu fiquei quando vi essa figura masculina e erótica entrando em meu escritório totalmente clean, o terno preto muito bem alinhado fazendo contraste com o ambiente, a pele negra se misturando em todo aquele branco, o sorriso. Perfeito e brilhante. O jeito como a boca dele se movia ao falar. Eu estremeci só em vê-lo falar.

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